A despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com medicamentos nos hospitais registou um aumento significativo de quase 15% entre janeiro e setembro de 2023, segundo dados divulgados pelo Infarmed, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde. Este crescimento reflete a tendência de aumento no acesso a cuidados de saúde e a inovação terapêutica.
De acordo com um comunicado conjunto do Ministério da Saúde, SNS e Infarmed, a despesa totalizou um acréscimo de 257 milhões de euros em meio hospitalar e 162 milhões de euros em meio ambulatório, o que representa um aumento de 14,9% e 13,1%, respetivamente. O jornal Público reportou que, neste período, a despesa com medicamentos em hospitais atingiu quase dois milhões de euros.
Nos primeiros nove meses do ano, foram dispensadas 152 milhões de embalagens de medicamentos nas farmácias comunitárias, o que corresponde a um aumento de 6% em comparação com o mesmo período de 2022. Nos hospitais, a utilização de medicamentos também subiu, com um acréscimo de 9%. Este aumento é atribuído a vários fatores, incluindo o alargamento do número de utentes do SNS, a aplicação de medidas de comparticipação e o acesso a medicamentos inovadores.
É importante notar que os valores de crescimento da despesa não incluem todas as contribuições resultantes de devoluções ao SNS pela indústria farmacêutica, que só serão apurados após dezembro. Além disso, o acordo com a APIFARMA, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, estabelece que, caso a taxa de crescimento da despesa líquida com medicamentos ultrapasse 7% em relação ao ano anterior, a indústria farmacêutica contribuirá para mitigar essa subida.
Por área terapêutica, a oncologia continua a ser a que apresenta o maior aumento na despesa nas Unidades Locais de Saúde (ULS), com um agravamento de 122,1 milhões de euros em comparação com o ano anterior. O medicamento Pembrolizumab, utilizado para tratar vários tipos de cancro, destacou-se com um aumento de 21,6 milhões de euros.
Por outro lado, a despesa com o programa nacional de vacinação cresceu 27 milhões de euros em relação a 2022. Em contrapartida, houve uma diminuição de 4,8 milhões de euros nos gastos com medicamentos para o tratamento de artrite reumatoide, psoríase e doenças inflamatórias intestinais, devido à introdução de um medicamento biossimilar no mercado.
O aumento da utilização e da despesa em ambulatório está relacionado com as doenças mais prevalentes em Portugal, como as cardiovasculares e a diabetes. Em 2023, a quota de utilização de medicamentos genéricos em hospitais é de cerca de 56,9%.
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Fonte: Sapo





