Os dados mais recentes do Banco de Portugal revelam que o crédito ao consumo registou um crescimento significativo de 9,9% em setembro, comparado com o mesmo mês do ano anterior. Este aumento reflete uma confiança renovada das famílias portuguesas na sua capacidade de endividamento, num contexto de descida das taxas de juro e de recuperação económica sustentada pelo consumo privado.
Um dos principais motores deste crescimento é o crédito automóvel, que disparou 13,5% em termos anuais e 9,8% em relação ao mês anterior, totalizando mais de 307 milhões de euros em setembro. Este aumento coincide com um ciclo de expansão no mercado automóvel nacional, que viu mais de 20.500 veículos matriculados em setembro, representando um aumento de 13,8% face ao mesmo mês de 2024, segundo a ACAP – Associação Automóvel de Portugal. A crescente eletrificação da frota, com os carros 100% elétricos a corresponderem quase a 30% das novas matrículas, também está a impulsionar o financiamento, à medida que os consumidores procuram modernizar os seus automóveis.
No entanto, o crescimento do crédito ao consumo não se limita apenas ao setor automóvel. O crédito pessoal, que continua a ser a principal forma de endividamento das famílias, também apresentou um aumento significativo. Até setembro, o crédito pessoal cresceu cerca de 4,55% em termos homólogos e 6,7% em relação a agosto, totalizando mais de 336 milhões de euros. Os empréstimos destinados a áreas como Educação, Saúde, Transição Energética e Locação Financeira de Equipamentos registaram um aumento homólogo de 12,9%.
Além disso, os cartões de crédito e as linhas de descoberto continuam a ser uma solução financeira para muitos portugueses, embora com um crescimento mais moderado. O montante de crédito associado a estas modalidades cresceu 6,7% em setembro e 8,4% em termos mensais, atingindo mais de 121 milhões de euros.
Este aumento no crédito ao consumo não é um fenómeno isolado. A economia portuguesa está a crescer, impulsionada pelo consumo privado, que o Banco de Portugal reviu em alta para 3,3% em 2025, superando as previsões iniciais de 2,2%. Com o emprego a aumentar e os salários a subir, beneficiados pelas alterações no IRS, as famílias sentem-se mais à vontade para contrair dívidas.
Contudo, a inflação, apesar de estar a desacelerar, continua a afetar o poder de compra das famílias, levando muitos a recorrer ao crédito para manter o seu nível de vida ou para enfrentar despesas inesperadas. As taxas máximas aplicáveis ao crédito ao consumo, embora tenham diminuído ligeiramente em algumas categorias, continuam elevadas, podendo chegar aos 19,2% nos cartões de crédito.
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crédito ao consumo Nota: análise relacionada com crédito ao consumo.
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Fonte: ECO





