Futuro da Logística em Portugal: Desafios e Oportunidades

A logística em Portugal está a passar por uma transformação significativa, impulsionada pelas metas da União Europeia para a descarbonização e pela necessidade de otimização das cadeias de abastecimento. Afonso de Almeida, presidente da Aplog – Associação Portuguesa de Logística, partilha a sua visão sobre o futuro do setor, destacando que a logística em Portugal continuará a ser essencial para o abastecimento de produtos, mesmo com a crescente pressão para reduzir a circulação de veículos.

Almeida sublinha que não podemos esperar que os produtos cheguem a casa num estalar de dedos. A logística em Portugal é fundamental para garantir que os produtos cheguem aos consumidores, desde a produção até à distribuição. No entanto, o comércio online tem gerado um aumento no número de entregas, o que contraria os esforços de descarbonização. Em cidades como Lisboa e Porto, o tráfego aumentou mais de 20% nos últimos dois anos, o que levanta preocupações sobre a poluição e a congestão urbana.

Para enfrentar estes desafios, as empresas estão a otimizar as suas cadeias de abastecimento, procurando ter as matérias-primas mais próximas das fábricas. Apesar da globalização ter trazido complexidade, a tendência é que os produtores encurtem as suas cadeias, contribuindo para a sustentabilidade. No retalho, a logística em Portugal já está a ser otimizada, com grandes retalhistas a receberem produtos durante a noite para garantir uma distribuição eficiente.

Um dos principais objetivos é reduzir os quilómetros percorridos em vazio, uma vez que camiões vazios não só poluem como também representam custos desnecessários. A eletrificação dos veículos pesados é outro desafio, pois os camiões elétricos ainda são significativamente mais caros do que os tradicionais a gasóleo. Até agora, apenas 35 camiões elétricos foram matriculados em Portugal, segundo a ACAP.

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A questão do quick commerce, com entregas rápidas, também levanta preocupações. Embora existam processos logísticos avançados que utilizam inteligência artificial, a pressão por entregas rápidas implica um aumento no número de transportes. Almeida alerta que não podemos querer descarbonização e, ao mesmo tempo, exigir entregas imediatas, pois isso gera uma contradição.

As cidades estão a implementar restrições ao número de veículos, o que pode afetar a operação de supermercados e outros estabelecimentos. A solução pode passar por alternativas como entregas com bicicletas de carga ou cacifos, que já estão a ser explorados em algumas áreas urbanas. As grandes empresas estão a instalar cacifos em locais estratégicos, mas ainda há muito a fazer em Portugal.

Fora das áreas urbanas, a logística em Portugal está a adaptar-se à menor densidade populacional, com empresas a abrir pequenos centros logísticos em regiões interiores. Esta abordagem permite uma melhor eficiência e reduz as falhas no abastecimento. A logística inversa também está a ser utilizada, com camiões a fazer entregas e recolhas simultaneamente.

No que diz respeito ao transporte ferroviário e marítimo, Almeida destaca a falta de infraestruturas eficientes em Portugal. Embora o transporte rodoviário continue a ser predominante, há uma necessidade urgente de melhorar a eficiência dos serviços de transporte entre os portos.

A dificuldade em recrutar motoristas, especialmente para veículos pesados, é um desafio crescente. A falta de mão de obra qualificada e os horários exigentes têm levado a uma escassez de motoristas, o que pode resultar em ruturas de abastecimento. A automatização dos armazéns é uma solução que está a ser considerada, embora ainda não esteja tão avançada como deveria.

Em suma, a logística em Portugal enfrenta desafios significativos, mas também oportunidades para inovar e melhorar a eficiência. A adaptação a um futuro mais sustentável e a necessidade de otimização das cadeias de abastecimento serão cruciais para o sucesso do setor.

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Fonte: Sapo

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