A Unicre está a concluir a venda da sua unidade de crédito ao consumo, que inclui cartões de crédito, ao Novobanco. No âmbito desta operação, a instituição financeira colocou no mercado uma carteira de crédito malparado avaliada em cerca de 160 milhões de euros. Esta informação foi revelada numa apresentação do processo enviada a potenciais interessados, à qual o ECO teve acesso.
Denominado “Project Summit”, este projeto envolve a venda de quase 20 mil empréstimos problemáticos, maioritariamente concedidos a particulares sem garantias, com uma média de 8 mil euros por contrato e um tempo de incumprimento que ronda os sete anos. A maior parte dos empréstimos, no valor de 108,6 milhões de euros, foi concedida através de cartões de crédito, enquanto 48,8 milhões correspondem a empréstimos pessoais. Curiosamente, 84% destes processos já se encontram em tribunal.
A transação está a ser gerida pela Alantra e a Unicre espera que esteja finalizada até ao final do ano. Com a fase de apresentação de ofertas não vinculativas já encerrada, os interessados devem agora submeter propostas firmes até ao dia 5 de outubro. Até ao momento, não foram divulgados os nomes dos fundos que estão a participar neste processo.
A Unicre, sob a liderança de João Baptista Leite, é controlada pelos principais bancos nacionais, como o BCP, Santander Totta, BPI e Novobanco. A venda da unidade de crédito ao consumo, que opera sob a marca Unibanco, foi anunciada no verão passado e aguarda a aprovação da Autoridade da Concorrência, com a expectativa de que a operação se finalize no primeiro trimestre de 2026. O Novobanco irá adquirir a carteira de crédito ao consumo da Unicre, que inclui cartões de crédito e crédito pessoal, num valor líquido de 262 milhões de euros.
Esta venda terá impacto em cerca de 100 trabalhadores, com 50% a serem transferidos para o Novobanco. Os restantes funcionários receberão propostas para saída por reforma antecipada ou rescisão por mútuo acordo.
Além da Unicre, outros bancos, como a Caixa Geral de Depósitos e o BCP, também estão a lidar com a venda de carteiras de crédito malparado. A CGD, por exemplo, está a alienar uma carteira de créditos sem garantias no valor de aproximadamente 100 milhões de euros. O BBVA, por sua vez, está a vender imóveis avaliados em 20 milhões de euros.
Essas operações ocorrem num contexto de mudanças regulatórias, com novas regras a entrarem em vigor em dezembro, resultantes da transposição de uma diretiva europeia sobre a cessão e gestão de créditos bancários. Estas novas normas visam reforçar a proteção dos consumidores, garantindo-lhes o “direito de retoma” do crédito e impedindo que fiquem numa posição jurídica desfavorável após a venda do crédito. Os compradores de créditos em incumprimento e os servicers terão também de cumprir deveres de boa-fé, evitando práticas de assédio ou coação.
O novo regulamento, que já foi publicado em Diário da República, entrará em vigor a 10 de dezembro. Leia também: O impacto das novas regras sobre crédito malparado no mercado.
crédito malparado crédito malparado Nota: análise relacionada com crédito malparado.
Leia também: CTT reduz janelas de entrega com inteligência artificial
Fonte: ECO





