O arquiteto Eduardo Souto Moura, responsável pelas estações de alta velocidade ferroviária de Porto Campanhã e Vila Nova de Gaia, expressou a sua desaprovação em relação à estação do TGV prevista para Santo Ovídio. Durante a apresentação da proposta do consórcio AVAN Norte, Souto Moura afirmou que a construção da estação a cerca de 60 metros de profundidade representa “um sem número de perigos”.
O arquiteto sublinhou que a localização da estação em Santo Ovídio não é adequada, especialmente considerando que Vila Nova de Gaia enfrenta um crescimento populacional significativo. “Ter uma estação a 60 metros de profundidade, e em alguns locais a 70, é potencialmente perigoso”, afirmou. A sua crítica vai ao encontro da preocupação com a segurança e a acessibilidade da infraestrutura.
Souto Moura também comentou a proposta do consórcio que sugere a deslocação da estação para Vilar do Paraíso, a apenas dois quilómetros de Santo Ovídio. Para ele, essa distância “não é nada”. O vice-presidente da Infraestruturas de Portugal (IP) partilhou a mesma visão, enfatizando que o mais importante é garantir a viabilidade do projeto sem comprometer a segurança.
A nova estação em Vilar do Paraíso, segundo Souto Moura, poderá promover o desenvolvimento da cidade de Gaia, que actualmente enfrenta desafios de urbanização. “A vantagem da estação em Vilar do Paraíso é que promove a cidade e estabelece uma âncora para o desenvolvimento de Gaia, que está caótico”, disse. Ele não compreende a indignação que a proposta alternativa tem gerado, especialmente porque, ao contrário de uma estação de metro, uma estação de TGV não precisa estar no centro da cidade.
Além disso, Souto Moura destacou que uma estação a céu aberto em Vilar do Paraíso seria mais económica e poderia incluir várias comodidades, como um parque de estacionamento, acessos à autoestrada e até um centro comercial. O contrato inicial de 1,6 mil milhões de euros previa uma estação em Santo Ovídio e uma ponte rodoferroviária, mas o plano B agora em discussão propõe a construção de duas pontes sobre o Douro.
O engenheiro Álvaro Costa, que também se pronunciou sobre o assunto, concorda com a nova localização da estação. Ele acredita que a mudança para Vilar do Paraíso “cria mais cidade e mais valor” em comparação com a localização anterior. Costa destacou ainda que a nova proposta prevê uma estação com quatro linhas, ao contrário do apeadeiro com apenas duas linhas inicialmente previsto para Santo Ovídio, o que representa uma melhoria significativa em termos de flexibilidade operacional.
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Fonte: ECO





