Os preços do cacau registaram uma queda significativa de 45% desde o início de 2023, após dois anos de máximos históricos. Esta descida deve-se, em grande parte, a previsões de colheitas mais favoráveis na Costa do Marfim, um dos maiores produtores de cacau do mundo, e à diminuição da atividade especulativa no mercado.
Apesar desta correção, a Coface, uma seguradora especializada, alerta que os preços do cacau permanecem cerca de duas vezes acima da média histórica entre 2012 e 2022, que se situava em 2.525 dólares (aproximadamente 2.170 euros) por tonelada. Simon Lacoume, economista do setor, sublinha que “após dois anos de tensão, a correção atual está a trazer os preços do cacau de volta a níveis mais racionais”. No entanto, ele adverte que “é prematuro falar em normalização, uma vez que persistem fragilidades estruturais e uma elevada concentração geográfica da produção de cacau”.
A volatilidade dos preços do cacau não parece afetar a procura por produtos de chocolate, que continuam a manter uma posição ‘premium’ no mercado. A Coface destaca que a procura mundial por chocolate está a crescer, impulsionada principalmente pela Ásia e pelos segmentos de luxo. Além disso, produtos éticos, biológicos e com baixo teor de açúcar estão a ganhar popularidade, assim como o cacau certificado, como o Fairtrade e o Rainforest Alliance.
Esta dinâmica no mercado do cacau reflete não apenas as condições de oferta e procura, mas também as tendências de consumo que estão a moldar o setor. A crescente adesão a produtos sustentáveis e de qualidade superior poderá influenciar os preços do cacau nos próximos anos.
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Fonte: Sapo





