O saber-fazer do luxo que a inteligência artificial não substitui

No mundo do luxo, a autenticidade e o saber-fazer artesanal são cada vez mais valorizados, especialmente em áreas onde a inteligência artificial ainda não consegue competir. Um exemplo claro disso é a Vista Alegre, uma fábrica de cerâmica em Ílhavo, onde a mestria na pintura à mão de pratos é uma arte que leva anos a dominar. Francisco Carvalheira, presidente da Laurel, destaca que “são necessários cerca de dez anos para se tornar um pintor de flores na Vista Alegre”, sublinhando a dedicação e o tempo que este ofício exige.

A individualidade de cada peça, mesmo que o design seja semelhante, é o que confere valor ao produto. Nuno Barra, administrador da Vista Alegre, explica que “quando os visitantes da fábrica veem o trabalho manual, percebem que o preço de 800 a 900 euros é justificado pela paixão e pela habilidade dos artesãos”. Este é um claro exemplo de como o saber-fazer se destaca num mercado que, apesar do avanço tecnológico, ainda valoriza a produção artesanal.

A inteligência artificial tem um papel crescente em diversos setores, mas, segundo Nuno Barra, “a criatividade não se consegue automatizar”. As máquinas podem sugerir, mas nunca poderão replicar a inovação e a emoção que um artista humano traz ao seu trabalho. “Há coisas que não se podem transformar em algoritmo”, afirma, referindo-se à complexidade da produção artesanal.

Na Vista Alegre, a busca pela excelência levou à colaboração com designers renomados, como Ross Lovegrove, para criar peças que combinam design contemporâneo e técnicas tradicionais. O candeeiro Nervi é um exemplo desta fusão, onde a arte e a produção industrial se encontram. Este tipo de inovação é crucial para manter a relevância no mercado do luxo, que continua a valorizar o saber-fazer.

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O mercado de luxo está a passar por uma transformação, onde a autenticidade e a história por trás de cada peça são fundamentais. Marcas como a Chanel têm investido na aquisição de pequenas empresas que preservam técnicas tradicionais, reforçando a importância do saber-fazer. “90% do luxo mundial é produzido na Europa, e isso é um dos nossos maiores trunfos”, afirma Carvalheira.

A valorização do saber-fazer não se limita a grandes marcas. Pequenos empreendedores, como André Campante, têm resgatado tradições, como os bordados da Lixa, criando produtos que refletem a cultura e a identidade portuguesa. As toalhas da Campante, feitas à mão, podem chegar a preços elevados, mas são vistas como um símbolo de luxo e exclusividade.

A Bordal, na Madeira, é outro exemplo de como o saber-fazer é essencial. Desde 1962, a marca tem mantido viva a tradição do bordado, oferecendo peças únicas que são verdadeiras obras de arte. Susana Vacas, da Bordal, destaca que “cada peça é feita com dedicação e respeito, mantendo a essência do trabalho artesanal”.

Com o aumento da procura por produtos autênticos e feitos à mão, o futuro do saber-fazer parece promissor. A combinação de técnicas tradicionais com inovação e design contemporâneo pode garantir que o luxo continue a ser sinónimo de qualidade e autenticidade.

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Fonte: ECO

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