O setor da construção em Portugal manifestou surpresa com a recente decisão do Governo de incentivar a entrada de empresas estrangeiras para trabalharem em parceria com as nacionais. Carlos Mineiro Aires, administrador executivo da Fundação da Construção, expressou a sua preocupação, afirmando que o Governo deveria ter primeiro dialogado com as empresas portuguesas, que têm demonstrado capacidade para realizar grandes obras.
Aires sublinhou que as empresas nacionais estão a ganhar força e estão preparadas para enfrentar desafios como a construção do novo aeroporto de Lisboa, a terceira travessia do Tejo e várias obras de infraestrutura. A Fundação da Construção, criada em outubro por ordens profissionais e empresas do setor, está atenta a esta situação e considera que a liderança dos consórcios deve ser sempre portuguesa.
Recentemente, o Governo português estabeleceu contactos com empresas de capitais turcos e chineses, o que gerou inquietação no setor. A missão de empresários turcos que visitou Portugal, apoiada pela Secretaria de Estado das Infraestruturas, levantou questões sobre a real necessidade de atrair empresas estrangeiras, especialmente quando as nacionais já têm a capacidade necessária.
Mineiro Aires criticou a abordagem do Governo, afirmando que as empresas estrangeiras não costumam trazer benefícios significativos, como a contratação de engenheiros locais, e que frequentemente recorrem a práticas de dumping, o que pode resultar em custos elevados e atrasos nas obras. O administrador da Fundação da Construção destacou que a falta de mão-de-obra qualificada é um dos maiores desafios do setor, com uma carência estimada em cerca de 50.000 operários.
A Fundação tem como um dos seus objetivos a formação de mão-de-obra especializada, uma necessidade premente, dado que a crise financeira anterior destruiu cerca de 350.000 empregos na construção. Para resolver esta questão, é fundamental atrair trabalhadores que emigraram durante a crise, oferecendo salários competitivos, além de estruturar um fluxo migratório com países de língua portuguesa.
Além das dificuldades de mão-de-obra, a contratação pública também é um tema crítico. Mineiro Aires defende uma revisão do atual código de contratação, que, apesar de várias alterações, continua a ser um entrave, gerando atrasos e incertezas. Ele apontou que a pressão para escolher a proposta mais barata pode levar a decisões que comprometem a qualidade dos projetos.
A Fundação da Construção, com um orçamento inicial de 283.000 euros, planeia lançar um Observatório da Construção para disponibilizar informações relevantes sobre o setor, como concursos públicos e níveis de salários. Mineiro Aires reafirmou a importância de defender a engenharia nacional e colaborar com o Governo para melhorar a situação do setor.
“Estamos abertos ao diálogo e queremos contribuir para que o Governo tome decisões mais informadas”, concluiu.
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Fonte: Sapo





