Lesados do Banif exigem reunião a Montenegro por promessas não cumpridas

Os Lesados do Banif estão a exigir uma reunião com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, denunciando uma década de promessas não cumpridas por parte do Estado. Numa carta enviada ao chefe do Governo, a que a Lusa teve acesso, os lesados criticam a falta de resposta do atual executivo, afirmando que a situação permanece inalterada desde a resolução do Banif, em dezembro de 2015.

Na missiva, os signatários começam por expressar, de forma irónica, o seu “agradecimento” aos sucessivos Governos, afirmando que “tudo o que foi feito ao longo dos últimos dez anos tem sido absolutamente nada”. A associação que representa os lesados recorda a criação de comissões e grupos de trabalho, mas sublinha que nunca foi encontrada uma solução concreta para os problemas enfrentados.

A carta, datada de 18 de dezembro, menciona uma reunião realizada em 3 de julho de 2024 no Ministério das Finanças, onde representantes do Governo prometeram dar continuidade ao trabalho iniciado pelo executivo anterior e acelerar o processo. Contudo, os lesados afirmam que, desde essa data, não foram recebidos novamente, e a reunião prometida para setembro não se concretizou.

Os Lesados do Banif criticam a falta de comunicação por parte do Governo, que não cumpriu os compromissos assumidos em reuniões anteriores. “Desde 3 de julho, nunca mais fomos recebidos”, afirmam, lamentando a ausência de esclarecimentos e avanços. A carta destaca que o atual Governo falhou até nos compromissos assumidos “olhos nos olhos”, ao contrário do anterior, que, segundo os lesados, também não cumpriu as promessas feitas publicamente.

Num tom crítico, os signatários reiteram a ironia do seu agradecimento, escrevendo: “Agradecemos a atenção que não nos foi dada. Agradecemos as reuniões que não ocorreram. Agradecemos a continuidade de um processo que não avança.” No final da carta, pedem a Luís Montenegro que os receba e que cumpra as promessas feitas ao longo dos anos. “Não pedimos privilégios. Pedimos apenas justiça. E a decência de uma resposta”, concluem.

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A resolução do Banif, que ocorreu em dezembro de 2015, foi uma decisão do Governo e do Banco de Portugal. Desde então, os lesados têm solicitado indemnizações relacionadas com as perdas dos seus investimentos em produtos financeiros. Em dezembro de 2019, uma comissão de peritos da Ordem dos Advogados identificou “indícios de práticas ilícitas na venda dos produtos financeiros no Banif”, validando 2.330 pedidos que totalizam cerca de 230 milhões de euros.

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Fonte: Sapo

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