A Namíbia foi recentemente reconhecida pelo African Tourism Board (ATB) como o destino turístico mais autêntico de África. Este reconhecimento baseia-se em dados recolhidos nos principais mercados emissores da Europa e da América do Norte. Esta distinção surge num momento em que o turismo internacional está a passar por uma transformação, com os viajantes a valorizarem cada vez mais experiências sustentáveis, destinos menos saturados e um contacto mais profundo com a natureza e as comunidades locais.
De acordo com o ATB, o crescente interesse pela Namíbia deve-se à procura por espaço, segurança, autenticidade e responsabilidade ambiental. Estes fatores têm ganhado relevância entre turistas mais experientes, que buscam experiências significativas. Juergen Steinmetz, patrono do African Tourism Board, afirmou que a Namíbia “representa autenticidade sem concessões”, destacando que o país não altera a sua identidade para atrair visitantes, optando por um modelo de turismo mais seletivo e consciente.
A avaliação do ATB revela que a Namíbia se beneficia de uma mudança no perfil do viajante internacional. O foco tem-se deslocado do turismo de massas para experiências de maior valor e menor impacto, onde a preservação ambiental e cultural é central. O vice-presidente da African Tourism Board Marketing Corporation sublinhou que o país não é desenhado para turismo rápido e de grande volume, mas sim para viajantes que escolhem cuidadosamente os seus destinos e o impacto que causam.
Com uma das mais baixas densidades populacionais do mundo, a Namíbia apresenta-se como um destino de grandes dimensões, com desertos, parques naturais vastos e longas distâncias entre os centros urbanos. Para o ATB, esta característica tornou-se uma vantagem competitiva, uma vez que o “espaço” é cada vez mais valorizado no turismo global. Destinos como Sossusvlei, o Parque Nacional de Etosha e a Skeleton Coast são exemplos do que a Namíbia tem para oferecer.
Steinmetz enfatizou que “espaço, silêncio e distância tornaram-se luxos raros”, e a Namíbia proporciona tudo isso sem comprometer a segurança ou as infraestruturas. Além disso, o país é conhecido pelo seu sistema de conservação comunitária, que canaliza receitas do turismo para a proteção da vida selvagem e o desenvolvimento local. Em locais como Etosha, a observação de elefantes, leões e rinocerontes continua a atrair visitantes.
Outro aspecto relevante é o turismo cultural de base local, especialmente nas visitas às comunidades Himba, que são organizadas através de estruturas comunitárias e guias locais. Esta abordagem protege a integridade cultural e assegura benefícios diretos às populações, ao mesmo tempo que oferece aos visitantes experiências mais respeitadoras e informadas.
O African Tourism Board acredita que a Namíbia pode servir de modelo para outros países africanos, demonstrando que o turismo de alto valor e baixo impacto é economicamente viável. Steinmetz concluiu que “a África não precisa de turismo de massas para competir globalmente”, afirmando que o futuro do turismo passa pela qualidade e não pela quantidade.
Com o aumento do interesse por parte de mercados europeus e norte-americanos, a Namíbia destaca-se como um dos destinos africanos mais alinhados com as novas exigências do turismo internacional: autenticidade, sustentabilidade e uma escala humana que atraem cada vez mais viajantes.
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Fonte: Sapo





