O setor dos media em Portugal enfrenta um futuro incerto, marcado por desafios significativos e oportunidades emergentes. Pedro Morais Leitão, CEO da Media Capital, alertou para a possibilidade de uma nova crise nos próximos anos, semelhante às que ocorreram em 2010 e 2020. Segundo o gestor, a inteligência artificial (IA) poderá acelerar os impactos negativos nas receitas dos grupos de media, tornando a situação ainda mais complexa.
Apesar das dificuldades, Morais Leitão destacou que o setor está a alcançar uma robustez financeira que não se via há muito tempo. Ele mencionou a entrada da Media for Europe (MFE) no capital da Impresa e a presença de vários investidores na Media Capital, como exemplos de um ambiente de investimento positivo. “Temos uma estrutura financeira que não nos deve envergonhar”, afirmou, referindo-se à confiança que esses investidores depositam no futuro dos media.
No entanto, a concorrência no setor transformou-se. Luís Santana, CEO do grupo CMTV, sublinhou que as entidades que competem com os media tradicionais não são apenas locais, mas incluem gigantes globais que não pagam impostos em Portugal. Estas plataformas digitais estão a levar uma parte significativa das receitas publicitárias, estimadas em cerca de 170 milhões de euros, o que dificulta a capacidade de competição dos media nacionais.
Luís Nazaré, diretor executivo da Plataforma de Meios Privados (PMP), reforçou que os media tradicionais enfrentam o desafio de se reinventarem para se adaptarem às preferências do mercado. As plataformas digitais beneficiam de condições que lhes conferem uma vantagem significativa, como a acessibilidade e a ausência de escrutínio noticioso. A tendência de digitalização continua a ser uma realidade, com a predominância do meio digital sobre os tradicionais e a crescente especialização dos conteúdos.
Cláudia Maia, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, apontou que a IA será uma ferramenta essencial na indústria da comunicação até 2026. A sua aplicação na edição, produção de conteúdos e gestão de assinaturas promete transformar a forma como os media operam. Contudo, o desafio será garantir que a utilização da IA não comprometa a ética e a credibilidade editorial.
Independentemente das adversidades, a missão dos media permanece inalterada: promover a liberdade, diversidade e informação responsável. O Governo, por sua vez, ainda não avançou com o Plano de Ação para a Comunicação Social, que deveria ter sido implementado no final de 2024, deixando o setor à espera de medidas que possam mitigar os seus constrangimentos económicos.
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Fonte: ECO





