Entre 2011 e 2024, a mobilidade no emprego teve um impacto significativo na evolução dos salários em Portugal. Um estudo recente do Banco de Portugal revela que os salários reais aumentaram, principalmente, devido à permanência dos trabalhadores nas mesmas empresas.
De acordo com a análise, os trabalhadores que mantiveram os seus postos explicam, em média, um crescimento anual de 1,6 pontos percentuais nos salários reais. Este efeito é mais pronunciado em períodos de crescimento económico, enquanto se torna negativo em tempos de crise, quando as empresas tendem a congelar ou até reduzir os salários.
Além disso, a mobilidade no emprego também inclui aqueles que optam por sair das suas empresas. Estes trabalhadores contribuíram com um aumento médio de 2,3 pontos percentuais por ano. A razão para este fenómeno é que, frequentemente, quem sai são os trabalhadores com salários mais baixos, o que, por sua vez, eleva o salário médio dos que permanecem.
Por outro lado, as novas contratações apresentam um efeito oposto. Em média, estas reduzem o crescimento dos salários agregados em 2,5 pontos percentuais por ano. Isto deve-se ao facto de que os novos trabalhadores, seja por entrarem no mercado de trabalho pela primeira vez, após um período de inatividade ou por mudarem de empresa, tendem a receber salários inferiores aos dos colaboradores mais antigos.
Dentro do grupo das novas admissões, as transferências de uma empresa para outra têm um impacto negativo menor, com uma redução de apenas 0,4 pontos percentuais. Isto acontece porque estes trabalhadores costumam ter salários mais próximos dos que já estão na empresa.
O estudo evidencia que a constante renovação da força de trabalho, caracterizada por entradas, saídas e mudanças de emprego, é um fator central para entender a evolução dos salários em Portugal. As implicações são diretas, não só para as políticas públicas, mas também para o funcionamento do mercado de trabalho.
A análise foi publicada na Caixa 5 do Boletim Económico do Banco de Portugal de dezembro de 2025, elaborada por Sónia Félix e Ana Catarina Pimenta. Para mais detalhes, consulte a Caixa 5 “Contributo da mobilidade laboral para a variação agregada dos salários reais”.
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Fonte: Sapo





