Um dia após os Estados Unidos terem afastado Nicolás Maduro do poder, a Venezuela encontra-se num estado de expectativa e calma tensa. “Tudo está tranquilo, tensamente tranquilo”, descreve um luso-venezuelano em Caracas.
Na capital, supermercados, padarias e restaurantes abriram as suas portas, embora o transporte público tenha enfrentado dificuldades no dia anterior. Yosé Yépez, um técnico informático radicado em Caracas, afirmou que a noite foi mais calma, sem o habitual ruído de helicópteros e explosões, mas o receio sobre o futuro do país persiste. “As pessoas estão preocupadas com a segurança e com as intenções dos EUA”, acrescentou.
As ruas de Caracas apresentam pouco trânsito, mas há filas em algumas estações de serviço, onde os automobilistas tentam abastecer-se, temendo uma possível escassez de gasolina. A presença policial é discreta, mesmo nas áreas centrais, onde há falhas no abastecimento elétrico que se prolongam por mais de 15 horas.
Embora o comércio esteja lento, com a atividade a ganhar força apenas após o dia 15 de janeiro, há padarias e supermercados a funcionar com mais fluidez do que no dia anterior. “Não é necessário esperar longas horas para pagar, como aconteceu no sábado”, relatou Yépez.
Vários luso-venezuelanos mencionaram que as portas de entrada dos edifícios foram reforçadas e que os moradores foram aconselhados a não saírem após as 20:00, como medida de segurança. José Carlos Betencourt, comerciante, comentou que a população ainda está a digerir os anúncios de Donald Trump, e que, apesar da operação militar norte-americana, não houve uma queda do regime nem anúncios de eleições. “A falta de clareza não convenceu a população, que continua expectante”, disse.
As preocupações com as tensões entre Caracas e Washington são evidentes. Jorge Andrade, proprietário de um restaurante, prevê tempos complicados em termos económicos. “Não há dólares para pagar as importações. A moeda venezuelana está a desvalorizar rapidamente, e o mercado negro está a ganhar força, causando grandes desequilíbrios na economia”, alertou.
Carlos Vasconcelos, que estava em casa após uma festa de aniversário, descreveu a sua experiência ao ouvir explosões em Caracas. “Desde a mobilização dos barcos norte-americanos, havia rumores de que algo aconteceria. A intervenção aconteceu e todos estamos na expectativa sobre o que os EUA farão e como o regime lidará com a situação interna”, afirmou.
Os Estados Unidos lançaram um ataque em grande escala no sábado, visando capturar Nicolás Maduro e a sua mulher, acusados de tráfico de droga. O presidente norte-americano, Donald Trump, não descartou a possibilidade de uma segunda ofensiva, se necessário. Delcy Rodriguez, até então número dois de Maduro, assumiu a presidência da Venezuela.
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Fonte: Sapo





