Os investidores estão a redirecionar as suas atenções para as empresas de defesa, impulsionados pelo aumento da tensão geopolítica que marca o início deste novo ano. As ações de várias cotadas europeias do setor registaram valorizações significativas na segunda-feira, após os Estados Unidos terem realizado uma operação relâmpago que resultou na derrubada do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Maduro foi levado para os EUA, onde irá enfrentar acusações graves de tráfico de drogas e armas. Este acontecimento marca um retorno à doutrina Monroe, uma política externa dos EUA do século XIX que defendia a intervenção americana na América Latina, moldando governos conforme os interesses norte-americanos.
No mercado europeu, a Rheinmetall, a maior fabricante de armas da Alemanha, viu as suas ações subirem 7%. Outras empresas alemãs, como a Hensoldt e a Renk, também tiveram desempenhos positivos, com ganhos de 7% e 6%, respetivamente. A italiana Leonardo e a sueca Saab seguiram a tendência, com valorizações de 6% e 5%.
Fawaz Chaudry, da Fulcrum Asset Management, comentou à CNBC que estamos a entrar numa nova era, onde os ativos militares de hard power vão assumir um papel central. Esta mudança de paradigma implica um aumento do rearmamento na Europa e na Ásia, o que, a longo prazo, beneficiará as empresas de defesa.
A intervenção dos EUA na Venezuela, segundo Chaudry, irá reforçar esta tendência, resultando em mais gastos militares e um aumento do rearmamento global. As empresas de defesa asiáticas também sentiram o impacto, com a IHI Corp no Japão a valorizar quase 10%, seguida pela Mitsubishi Heavy Industries com um aumento superior a 9% e a Kawasaki Heavy Industries com uma subida de 7%. Na Coreia do Sul, a Hanwa Aerospace registou uma valorização superior a 6%, enquanto a Poognsan subiu 2%.
O panorama atual sugere que a dinâmica do mercado de defesa está a mudar, com os investidores a reconhecerem a crescente importância das empresas de defesa num contexto geopolítico cada vez mais tenso. Leia também: O impacto das tensões geopolíticas nas economias globais.
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Fonte: Sapo





