Os riscos climáticos estão a transformar muitos imóveis na União Europeia (UE) em ativos não seguráveis, segundo um relatório da WWF. Fenómenos como inundações e ondas de calor têm vindo a aumentar, colocando em risco a resiliência financeira das regiões afetadas e dificultando o acesso à habitação.
A WWF alerta que “o que não é segurável não é financiável”. Proprietários de imóveis localizados em áreas de alto risco, que não têm cobertura de seguro, podem ver-se privados de acesso a empréstimos e financiamentos imobiliários. O relatório, que contou com a colaboração de seguradoras como a Allianz e a Generali, bem como de instituições académicas de renome, revela que os riscos ambientais estão a empurrar zonas anteriormente consideradas seguras para categorias de maior perigo.
Cada vez mais regiões da UE enfrentam uma crise de seguros, à medida que os eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes e severos. A análise da WWF é corroborada por um estudo da Jones Lang LaSalle, que estima que cerca de 580 mil milhões de dólares em ativos imobiliários comerciais estão concentrados nas dez cidades europeias mais vulneráveis às alterações climáticas. Cidades como Roma, Istambul, Barcelona e Atenas estão entre as mais ameaçadas, enquanto Paris apresenta a maior exposição em termos de valor dos edifícios em risco.
O aumento dos custos dos seguros poderá resultar em despesas mais elevadas para famílias, empresas e orçamentos públicos. Dominyka Nachajute, especialista financeira da WWF, sublinha a necessidade de “medidas urgentes para colmatar a lacuna na proteção dos seguros e salvaguardar a estabilidade financeira da Europa”. O continente está a aquecer duas vezes mais rapidamente do que a média global, o que expõe novas regiões aos riscos climáticos e leva alguns mercados de seguros à beira do colapso.
Dados da Agência Europeia do Ambiente indicam que, entre 1980 e 2023, apenas 5% a 20% dos prejuízos económicos resultantes de desastres naturais foram cobertos por seguros. No verão de 2025, eventos extremos causaram prejuízos estimados em 43 mil milhões de euros na UE, e especialistas alertam que as perdas acumuladas podem atingir os 126 mil milhões de euros até 2029 se não forem tomadas medidas.
Para mitigar esta situação, a WWF defende que os governos e entidades reguladoras devem avaliar os riscos climáticos de forma abrangente e cumprir as metas climáticas e de biodiversidade. É crucial priorizar soluções baseadas na natureza para adaptação e reforçar os quadros regulamentares e de seguros, de modo a melhorar a resiliência financeira e evitar o colapso da rede de seguros.
A WWF apela ainda aos decisores políticos da UE para que exijam que as empresas apresentem planos de transição credíveis e criem mecanismos de partilha de riscos, onde seguradoras e governos possam unir recursos. Estes mecanismos devem não apenas compensar as perdas, mas também orientar as seguradoras a afastarem-se de investimentos em combustíveis fósseis e a caminharem rumo à descarbonização.
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Fonte: ECO





