Estratega abandona bitcoin e investe em ouro em alta

O mercado financeiro tem assistido a uma clara divergência entre o ouro e a bitcoin, com o primeiro a registar valorizações constantes, enquanto o segundo enfrenta um declínio significativo. Na semana passada, o preço do ouro ultrapassou a barreira dos cinco mil dólares, com uma valorização de 90% nos últimos 12 meses. Em contraste, a bitcoin, que atingiu um pico de 124.310 dólares em outubro de 2025, acumula uma perda de 27%, situando-se agora nos 89.749 dólares.

Chris Wood, estratega de macroeconomia da Jefferies, decidiu retirar todo o investimento que tinha em bitcoin, que representava 10% do seu portfólio modelo, e alocar esses recursos em ouro e empresas de mineração de metais preciosos. Esta mudança reflete a sua análise das dinâmicas atuais entre o ouro e a bitcoin, que se mostram cada vez mais desfavoráveis para o criptoativo.

Além do ouro, outros metais preciosos também têm registado subidas acentuadas. A prata, por exemplo, valorizou 264% nos últimos 12 meses, enquanto o cobre e a platina subiram 38% e 170%, respetivamente. Wood justifica a sua decisão com receios sobre a segurança das criptomoedas, mencionando a possibilidade de que a computação quântica possa comprometer os sistemas de segurança das criptomoedas, tornando-as vulneráveis a roubos.

O estratega considera que este “potencial risco existencial” mina a credibilidade da bitcoin como reserva de valor e como uma alternativa digital ao ouro. Em 2020, Wood alocou 5% do seu portfólio a bitcoin, quando esta cotava 22.779 dólares, e o restante 5% em 2021, quando a bitcoin estava a transacionar a 61.365 dólares. Atualmente, 70% do seu portfólio é direcionado para ouro ou ações de empresas mineiras, enquanto os restantes 30% estão investidos em ações asiáticas fora do Japão. Wood prevê que o preço do ouro pode continuar a subir, podendo atingir os 6.600 dólares.

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Entretanto, há analistas que projetam uma valorização ainda maior para o ouro. Julia Du, estrategista de commodities do ICBC Standard Bank, prevê que o preço do ouro possa chegar aos 7.150 dólares. Ela destaca que, com um objetivo de preço-base de cinco mil dólares, a instituição está a considerar um cenário de risco de alta de 5.400 dólares. A sua análise sugere que as commodities, incluindo metais preciosos e industriais, poderão ter um papel crescente no desempenho dos portfólios em 2026.

Por sua vez, Nicky Shiels, responsável pela área de metais da MKS PAMP, também antecipa que o ouro poderá alcançar os 5.400 dólares este ano. Shiels refere que o ano passado foi histórico para o mercado dos metais preciosos, com a prata a duplicar de valor e o ouro a subir 60%. Embora não se esperem ganhos tão acentuados este ano, a previsão de 5.400 dólares representa uma subida sólida de 30% em relação ao ano anterior.

Leia também: As perspetivas do mercado de metais preciosos para 2026.

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Fonte: Sapo

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