O Espaço Europeu de Dados de Saúde (EHDS) surge como uma iniciativa inovadora que visa transformar a forma como os dados de saúde são geridos e partilhados na Europa. Mais do que uma simples atualização tecnológica, o EHDS estabelece direitos, obrigações e padrões comuns que moldam a utilização destes dados, impactando diretamente a prestação de cuidados, a gestão do sistema de saúde, a investigação e a inovação.
Em termos práticos, o EHDS define as regras para o acesso, partilha e reutilização dos dados de saúde eletrónicos, tanto para o uso primário, que se refere à prestação de cuidados, como para o uso secundário, que abrange o planeamento, as políticas públicas e a investigação. Uma das principais mudanças trazidas pelo EHDS é a exigência de garantir a interoperabilidade e a qualidade dos dados, além de uma segurança e governação comuns a nível europeu.
Os benefícios esperados com a implementação do EHDS são significativos. A continuidade dos cuidados pode ser melhorada, as redundâncias podem ser reduzidas e a eficiência clínica pode aumentar. Além disso, decisões de gestão mais informadas e um ecossistema de inovação baseado em dados reais são algumas das promessas desta nova abordagem. Contudo, os desafios não devem ser subestimados. A adaptação organizacional, o alinhamento arquitetural, o reforço da cibersegurança e a capacitação dos profissionais são apenas algumas das questões que precisam de ser abordadas.
Em Portugal, o impacto do EHDS surge num momento crítico para o sistema de saúde. O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) está a chegar ao fim e deveria ter representado um avanço significativo na transformação digital do setor. No entanto, os resultados ainda não são claros. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) enfrenta um intenso escrutínio público, com uma Direção Executiva que pode reforçar a centralização estratégica, enquanto uma reforma estrutural está em curso e as Unidades Locais de Saúde (ULS) ainda não atingiram o seu potencial transformador.
Além disso, há uma aposta crescente na integração dos setores público, privado e social, com a expectativa do regresso das Parcerias Público-Privadas (PPP). Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) também devem ser reinventados, mantendo-se como o núcleo da transformação digital, enquanto um novo Chief Technology Officer (CTO) do Estado assume um papel crucial na coordenação da arquitetura, dados e interoperabilidade.
O EHDS terá um impacto abrangente em todo o ecossistema de saúde, envolvendo ministérios, reguladores, ULS, prestadores privados, seguradoras e a indústria farmacêutica. Nenhuma entidade relevante ficará de fora deste novo enquadramento. Contudo, um dos riscos centrais reside na literacia e na perceção da mudança, tanto por parte da população como dos profissionais de saúde. Para os cidadãos, o EHDS altera direitos e expectativas sobre quem acede aos seus dados e para que fins. Para os profissionais, implica mudanças nos processos clínicos e na forma como os dados são registados e partilhados.
A conclusão é clara: o EHDS não é apenas uma questão de conformidade, mas uma mudança estrutural que afeta diretamente as pessoas. Antecipar os desafios e compreender a perceção dos diferentes intervenientes é essencial para garantir que todos estejam preparados para esta transformação. É fundamental entender como cidadãos e profissionais percebem uma mudança que, inevitavelmente, os afetará, permitindo assim que todos beneficiem desta força convergente.
Leia também: O impacto da digitalização na saúde em Portugal.
Espaço Europeu de Dados de Saúde Espaço Europeu de Dados de Saúde Espaço Europeu de Dados de Saúde Espaço Europeu de Dados de Saúde Nota: análise relacionada com Espaço Europeu de Dados de Saúde.
Leia também: Dados económicos importantes a marcar o dia em Portugal
Fonte: Sapo





