Certificados de Aforro superam depósitos, mesmo com baixa remuneração

Nos últimos meses, a remuneração dos Certificados de Aforro tem vindo a diminuir, mas isso não impediu os portugueses de continuarem a investir neste produto de poupança do Estado. Esta tendência, que se intensificou em 2025, deve manter-se até 2026, uma vez que os Certificados de Aforro ainda oferecem um retorno superior aos depósitos a prazo tradicionais, numa altura em que as alternativas de baixo risco são limitadas.

Em dezembro de 2025, o montante aplicado pelos portugueses nos Certificados de Aforro ultrapassou os 40 mil milhões de euros, um marco significativo que se deve a subscrições líquidas positivas durante todo o ano. No total, foram investidos 5,4 mil milhões de euros em 2025, um aumento considerável em comparação com os 684 milhões de euros de 2024.

O ano de 2023 marcou um recorde de subscrições, com 14,4 mil milhões de euros, impulsionado pela subida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu (BCE). Contudo, em meados desse ano, o Governo alterou as regras dos Certificados de Aforro, introduzindo a Série F, que limitou a rendibilidade e resultou numa desaceleração acentuada das subscrições.

No último trimestre de 2024, os portugueses voltaram a olhar para os Certificados de Aforro, especialmente quando os bancos começaram a reduzir a remuneração dos depósitos em resposta à descida das taxas de juro do BCE. Apesar da remuneração em queda, as subscrições de depósitos também aumentaram, atingindo mais de 200 mil milhões de euros em dezembro.

Em 2025, os portugueses colocaram 8,3 mil milhões de euros em depósitos bancários, um valor inferior aos 12,9 mil milhões de euros de 2024. O volume de depósitos caiu em 2023, devido ao elevado interesse pelos Certificados de Aforro, que resultaram numa diminuição de 2,6 mil milhões de euros.

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Nos últimos meses, a evolução das subscrições de Certificados de Aforro e depósitos bancários tem sido semelhante, com os Certificados a representarem 40% do total em 2025, enquanto os depósitos ficaram nos 60%. O montante aplicado em Certificados de Aforro aumentou 15,7% em 2025, em contraste com a subida de apenas 4,3% nos depósitos.

A remuneração dos Certificados de Aforro estabilizou em 2,03% em fevereiro de 2026. Desde junho, a taxa de juro tem permanecido em torno dos 2%, e é esperado que continue assim, uma vez que não se prevê alterações na política monetária do BCE. A inflação na Zona Euro está controlada, e a economia apresenta sinais de crescimento, o que leva o BCE a manter a taxa de juro em níveis considerados adequados.

Com a estabilidade esperada nas taxas Euribor, a remuneração dos Certificados de Aforro deverá permanecer baixa, mas ainda assim competitiva em relação aos depósitos oferecidos pelos bancos. Em novembro de 2025, a taxa média dos novos depósitos a prazo foi de 1,37%, o nível mais baixo desde maio de 2023.

Os Certificados de Aforro continuam a ser uma escolha adequada para aforradores avessos ao risco, oferecendo vantagens como capital garantido, ausência de comissões e a possibilidade de resgates trimestrais sem penalizações. Além disso, os prémios de permanência podem aumentar a rendibilidade para aplicações de longo prazo, tornando-os ainda mais atrativos.

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Fonte: Doutor Finanças

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