O mercado de luxo na China continua a ser um pilar fundamental para o crescimento global, apesar dos desafios económicos e sociais que o país enfrenta. De acordo com um recente relatório da consultora Bain & Company, o setor apresenta sinais de recuperação após uma queda significativa em 2024, que se situou entre os 17% e 19%. Em 2025, a queda foi mais moderada, entre 3% e 5%, e as perspetivas para 2026 são optimistas, embora ainda envoltas em incerteza.
O relatório destaca que, após a recuperação na segunda metade de 2025, o mercado de bens pessoais de luxo deverá mostrar um desempenho mais positivo, apoiado por políticas internas e fatores geopolíticos que estão a redirecionar o consumo de luxo para o mercado local. Marcas como a LVMH e a Burberry já reportaram crescimentos impulsionados pelo mercado chinês, especialmente entre a geração Z.
No entanto, as marcas de luxo locais estão a ganhar terreno, utilizando estratégias que incorporam elementos da cultura chinesa. As marcas internacionais, por sua vez, estão a adaptar-se, promovendo colaborações com artesãos locais para se aproximarem dos consumidores. Esta evolução é crucial, uma vez que a fragilidade da moeda e a diminuição das diferenças de preços entre a China e outros mercados de luxo têm impactado a procura por compras no exterior.
O relatório também analisa o desempenho de diferentes categorias dentro do mercado de luxo. Os produtos de beleza destacam-se com um crescimento entre 4% e 7%, à medida que os consumidores procuram experiências emocionais. A moda, por sua vez, mostrou-se mais resiliente do que os acessórios de pele, beneficiando da inovação e da digitalização. A categoria de artigos de pele, no entanto, enfrenta dificuldades, com uma quebra estimada entre 8% e 11%, devido a aumentos de preços e falta de inovação.
A joalharia apresenta melhorias em relação a 2024, com uma queda inferior ao esperado, enquanto a relojoaria continua sob pressão, com uma contração estimada entre 14% e 17%. Os consumidores estão a tornar-se mais racionais nas suas decisões de compra, optando por alternativas em segunda mão e relógios desportivos.
Em suma, o mercado de luxo na China está a passar por uma fase de recuperação, mas as marcas europeias enfrentam desafios significativos. A adaptação às novas dinâmicas do mercado e o fortalecimento da ligação cultural com os consumidores locais serão cruciais para o sucesso futuro.
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Fonte: ECO





