Startups nascem em salas de aula: o futuro do empreendedorismo

Nos últimos anos, tem-se verificado um fenómeno interessante: o surgimento de startups nas salas de aula. Este ambiente educativo tem-se tornado um verdadeiro viveiro de ideias e inovações, onde estudantes e profissionais se unem para transformar conceitos em negócios viáveis. Um exemplo notável é João Fernandes, engenheiro informático que, após concluir o The Lisbon MBA em 2016, fundou a DocDigitizer. A sua empresa, que automatiza a extração de dados de documentos, já opera em 11 países e, em 2021, alcançou uma receita recorrente mensal superior a um milhão de euros.

João Fernandes optou por um modelo de negócio focado na rentabilidade sustentável, ao contrário de muitas startups que dependem de capital de risco. Essa decisão provou ser acertada, especialmente durante a contração económica de 2022-2023, quando muitas empresas falharam. A DocDigitizer manteve-se sólida, com uma margem EBITDA superior a 25%. Com o recente boom da inteligência artificial, a empresa posicionou-se como uma das mais inovadoras a nível mundial, recebendo reconhecimento de entidades como a Gartner e Forrester.

Outro exemplo é a Devoteam, que nasceu em 2009, quando Bruno Mota e colegas fundaram a BOLD no ISCTE Executive Education. Hoje, a Devoteam é uma multinacional tecnológica com mais de mil colaboradores em Portugal, destacando-se no setor. José Crespo de Carvalho, presidente do ISCTE Executive Education, refere que muitas empresas emergiram deste ambiente académico, onde a criatividade e a inovação são fomentadas.

O ISEG também desempenha um papel importante na criação de startups. André Silva, co-fundador do Wonderstudio, um ateliê de arquitetura e design de interiores, encontrou no MBA Executivo do ISEG as ferramentas necessárias para expandir o seu negócio. O Wonderstudio está agora a evoluir para um modelo de grupo empresarial, integrando diferentes áreas e focando na experiência do cliente.

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Na Porto Business School, surge a Onedash, uma startup criada por Luís Pereira, que visa resolver um problema crítico para as PME: a segurança informática. A plataforma que desenvolveu permite monitorizar continuamente a segurança das empresas, traduzindo dados técnicos em informações acessíveis para gestores. Com clientes na Europa e América Latina, a Onedash demonstra que a proteção não precisa ser complexa, mas sim clara e eficaz.

Agostinho Abrunhosa, diretor do AESE Executive MBA, sublinha que o objetivo das salas de aula não é apenas criar startups, mas sim cultivar uma mentalidade empreendedora. Ele testemunhou o nascimento de várias empresas de sucesso, como a Hope Care e a Human Talent, que surgiram a partir de discussões e projetos desenvolvidos no ambiente académico.

O espírito empreendedor que floresce nas salas de aula é um reflexo da capacidade de inovação e adaptação dos jovens profissionais. À medida que as startups continuam a emergir, fica claro que a educação desempenha um papel crucial na formação de futuros líderes e empreendedores. Leia também: O impacto da educação no empreendedorismo moderno.

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Fonte: Sapo

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