Nos últimos anos, a procura por habitação no interior de Portugal tem registado um crescimento notável, especialmente entre 2024 e 2025. De acordo com dados do portal Imovirtual, alguns concelhos, como Vila Nova de Foz Côa, viram a procura aumentar mais de 135%, enquanto Sernancelhe também se destaca com um crescimento superior a 106%. Este fenómeno contrasta com a tendência de retração observada nos grandes mercados tradicionais, onde cidades como Lisboa e Porto registaram quedas significativas na procura.
Os dados revelam que Lisboa teve uma diminuição de 13,2% na procura, enquanto o Porto viu uma redução de 4,3%. A situação é ainda mais preocupante em Vila Nova de Gaia, onde a procura caiu 29,2%, e em Cascais, com uma descida de 34,6%. Este cenário reflete uma desaceleração nos concelhos historicamente mais procurados, marcada por preços elevados e uma maior cautela por parte dos potenciais compradores.
Por outro lado, vários concelhos do interior, como Alfândega da Fé e Murça, também apresentam aumentos significativos na procura por habitação. A correção nos preços é um fator que torna estes mercados mais atrativos. Em Vila Nova de Foz Côa, por exemplo, o preço médio da oferta caiu 32,3%, passando de 399 mil euros para 270 mil euros. Em Alfândega da Fé, a descida foi de 23,5%, enquanto Sernancelhe viu uma redução de 26,5%. Em Murça, a descida foi ainda mais acentuada, com uma queda de 48,3%.
Estes ajustamentos nos preços tornam os concelhos do interior substancialmente mais acessíveis em comparação com os grandes centros urbanos, onde os preços médios de venda continuam a ultrapassar os 300 mil euros. Nos concelhos emergentes, a maioria das pesquisas concentra-se em valores entre 65 mil euros e 120 mil euros, o que revela uma redistribuição clara da procura imobiliária em Portugal.
Sylvia Bozzo, marketing manager do Imovirtual, afirma que este movimento sugere uma maior abertura dos compradores a territórios fora dos eixos urbanos habituais. Fatores como preço, qualidade de vida e flexibilidade geográfica estão a ganhar peso nas decisões de compra. Além disso, o volume ainda relativamente contido destes mercados representa uma janela de oportunidade antes de uma eventual maior pressão da procura.
Os dados indicam que não se trata de uma tendência isolada, mas sim de uma redefinição do mapa imobiliário português. Concursos fora do radar tradicional começam a ganhar relevância nas decisões de compra, desafiando a centralidade histórica dos grandes centros urbanos.
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Fonte: Sapo





