Tempestade Kristin paralisa a produção da Umbelino Monteiro

A tempestade Kristin, que devastou o distrito de Leiria, deixou a fábrica de telhas Umbelino Monteiro em situação crítica. Após treze dias sem eletricidade, a empresa, com 67 anos de experiência na produção de telhas, ainda não conseguiu retomar a sua atividade. O diretor-geral, Pedro Valente, expressa a sua frustração com a falta de resposta da E-Redes, a empresa responsável pela distribuição de energia. “É assustador ao ponto a que isto chega”, afirma Valente, referindo que os prejuízos já se acumulam em vários milhões de euros.

Os danos na estrutura da fábrica foram significativos, com parte do telhado a ceder e equipamentos a ficarem expostos às intempéries. Para contornar a falta de eletricidade, a Umbelino Monteiro teve de investir 30 mil euros na compra de um cabo para ligar geradores Diesel, mas o material chegou incompleto, atrasando ainda mais o processo de recuperação. Enquanto isso, os custos com o combustível para os geradores ascendem a mais de 3.000 euros por dia.

A produção está completamente parada, e os lucros cessantes aumentam a cada dia. “Haja eletricidade”, diz Valente, na esperança de que a situação se normalize rapidamente. Contudo, a E-Redes não fornece previsões sobre a reposição do fornecimento de energia, o que limita a capacidade da empresa de voltar à normalidade.

Durante a passagem da tempestade, os funcionários estavam em pausa para refeição quando a estrutura colapsou. Apesar da destruição, não houve feridos, mas a situação deixou a empresa em estado de alerta. Quando os trabalhadores conseguiram chegar à fábrica, depararam-se com a necessidade urgente de atender a população local, que procurava telhas para reparar os seus telhados danificados.

A Umbelino Monteiro, que normalmente vende a distribuidores, teve de adaptar-se rapidamente para atender diretamente os clientes finais. A falta de sistema informático levou a que as vendas fossem registadas manualmente, uma situação que remete a tempos passados. “Às 7h30 já havia pessoas a pedir telhas”, recorda Gabriela Silva, responsável pelos Recursos Humanos.

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A situação é ainda mais complicada para os funcionários, que, apesar de terem o processamento salarial realizado, dependem de energia e telecomunicações para receber os seus vencimentos. A equipa de RH teve de se deslocar a Coimbra para garantir que todos os trabalhadores fossem pagos a tempo.

A Umbelino Monteiro, adquirida em 2019 pela empresa francesa Edilians, enfrenta agora um futuro incerto. Valente reconhece que muitos negócios na região podem não conseguir recuperar dos danos. “Estamos a falar de coisas em que é praticamente fazer de novo”, alerta, referindo-se aos custos de reconstrução e à perda de receitas.

Apesar dos desafios, a Umbelino Monteiro tem um produto em alta demanda: telhas. Valente avisa que, se houver um aumento de preços, não será culpa dos produtores, pois a empresa adiou um aumento previsto devido à situação atual. “Tínhamos previsto um aumento de preços, mas atrasámos isso um mês”, conclui.

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Fonte: ECO

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