Europa a duas velocidades? Von der Leyen propõe nova abordagem

A União Europeia (UE) prepara-se para uma cimeira informal que terá lugar a partir de hoje, 12 de fevereiro, em Alden Biesen, na Bélgica. Este encontro é considerado crucial para definir um novo rumo económico para o bloco, que procura recuperar a sua posição entre as grandes economias do mundo. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lançou uma proposta que sugere a possibilidade de uma “Europa a duas velocidades”, onde os países poderiam colaborar em grupos menores caso não consigam alcançar um consenso entre os 27 Estados-membros.

A ideia de von der Leyen surge num contexto em que Mario Draghi, ex-governador do Banco Central Europeu, defendeu um “federalismo pragmático” para a UE. As propostas de Draghi e von der Leyen parecem, à primeira vista, estar em desacordo. Enquanto Draghi advoga por uma Europa unida e forte, von der Leyen sugere uma abordagem mais flexível, permitindo que os países com interesses comuns avancem em projetos económicos, mesmo que isso signifique deixar outros para trás.

Von der Leyen reafirmou que a ambição é aprovar uma agenda económica ambiciosa para todos os Estados-membros, mas reconheceu que, na ausência de progresso, é necessário explorar coligações menores. Esta proposta pode ser vista como um afastamento do princípio de consenso que tem caracterizado a UE, abrindo caminho para uma Europa a duas velocidades, onde as grandes economias avançam mais rapidamente do que as restantes.

Em contrapartida, Draghi defende que a UE deve funcionar como uma verdadeira união, abordando questões como energia e segurança de forma conjunta. A proposta de von der Leyen, ao permitir grupos menores, pode agravar as divisões existentes e manter a UE numa posição de irrelevância no cenário global.

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A cimeira também abordará a questão da burocracia que afeta as empresas europeias. Von der Leyen anunciou uma nova iniciativa para reduzir o excesso de regulamentação, que tem sido uma queixa constante dos empresários. A burocracia excessiva não só aumenta os custos operacionais, como também limita a competitividade das empresas europeias no mercado global.

A competitividade da UE face a potências como a China e os Estados Unidos será um dos principais tópicos da agenda. A cimeira pretende discutir como integrar o mercado único e utilizar a dimensão económica da União para evitar a marginalização. Entre as prioridades está a simplificação das regras que regem o Mercado Único, permitindo que as empresas europeias operem de forma mais eficiente.

Além disso, a reunião contará com a presença de líderes de dez países que se reunirão para discutir uma linha comum, com a Alemanha, Itália e Bélgica a liderarem o convite. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, sublinhou a importância de concentrar esforços na implementação do relatório de Draghi, que visa fornecer diretrizes políticas claras para os líderes europeus.

A proposta de uma Europa a duas velocidades levanta questões sobre a coesão do bloco e a sua capacidade de agir de forma unificada. Com a cimeira a decorrer, resta saber se as divergências políticas poderão ser superadas em prol de uma agenda económica comum.

Leia também: O impacto da burocracia nas empresas europeias.

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Fonte: Sapo

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