Yield da dívida portuguesa e espanhola atinge paridade histórica

O mercado de dívida soberana na Península Ibérica vive um momento inédito, com os juros das obrigações a 10 anos de Portugal e Espanha a aproximarem-se pela primeira vez em anos. Esta convergência desafia a hierarquia histórica que, normalmente, colocava a dívida portuguesa como mais arriscada em comparação com a espanhola. A estabilidade política em Portugal é apontada como um dos fatores que contribui para esta mudança.

Recentemente, o Jornal Económico atualizou os dados sobre a dívida soberana, comparando-a com a dívida alemã, que é considerada o ativo de referência, devido ao seu risco de incumprimento praticamente nulo. A 10 de fevereiro de 2026, o rendimento da dívida portuguesa a 10 anos fixou-se em 3,18%, enquanto a dívida espanhola oscilava em torno de 3,22%. Esta tendência de aproximação começou no início do ano e, na quarta-feira, a taxa de juro da dívida portuguesa estava em 3,15%, enquanto a espanhola se situava em 3,17%.

No início do ano, a dívida espanhola apresentava yields de 3,33%, mas essa taxa tem vindo a descer à medida que a procura no mercado secundário aumentou. É importante lembrar que, no mercado de rendimento fixo, os rendimentos das obrigações movem-se inversamente ao preço. Assim, quando os investidores compram títulos, os rendimentos descem, e quando vendem, os rendimentos sobem.

Desde a pandemia, a yield da dívida espanhola a 10 anos superou frequentemente a da dívida portuguesa, mas essa situação parece estar a mudar. A evolução dos títulos portugueses nos próximos dias será crucial para entender se esta tendência se mantém. Entre os principais títulos soberanos da Europa, tanto Portugal como Espanha apresentam yields inferiores às de países vizinhos como França e Itália, que estão em 3,4%, e ao Gilt britânico, que se encontra em 4,51%.

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Atualmente, tanto a dívida ibérica como a alemã apresentam yields superiores, o que indica que os investidores exigem um prémio de risco maior para emprestar dinheiro a Portugal ou Espanha em comparação com a Alemanha. Este diferencial, ou spread, reflete a perceção do mercado sobre a solidez das finanças públicas e a estabilidade política de cada país.

As yields da dívida soberana influenciam diretamente os juros em toda a economia nacional, afetando o crédito a empresas e famílias. Quando a yield ibérica sobe em relação à alemã, os bancos tendem a aumentar os juros nos empréstimos, encarecendo o investimento e o consumo. Além disso, yields mais elevadas significam que o Estado português destina uma parte maior do seu orçamento ao pagamento de juros, reduzindo os recursos disponíveis para investimento público em áreas como saúde, educação e infraestruturas.

Atualmente, o spread de Portugal em relação à Alemanha está em mínimos históricos, sinalizando uma forte confiança dos mercados na trajetória da dívida portuguesa. Curiosamente, o prémio de risco da França tem aumentado, aproximando-se dos níveis ibéricos, devido a preocupações com as suas contas públicas.

Leia também: O impacto das yields na economia nacional e no investimento.

dívida soberana dívida soberana Nota: análise relacionada com dívida soberana.

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Fonte: Sapo

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