A Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca (Centromarca) expressou preocupações sobre a nova central de compras criada entre os grupos Auchan e Intermarché. A associação apela a um “acompanhamento atento” por parte da Autoridade da Concorrência (AdC) e da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). O diretor-geral da Centromarca, Pedro Pimentel, sublinha que as tentativas anteriores de centralização de compras foram “efémeras” e pede a monitorização dos reguladores para garantir a “certificação” do processo.
Pimentel destaca que, embora a ideia de uma central de compras tenha legitimidade, a sua operacionalização é crucial para evitar riscos. “Na prática, este ganho de competitividade ou tem um efeito prático no consumidor ou fica, meramente, dentro dos elos da cadeia”, explica. A Centromarca defende que, se os benefícios da central de compras se traduzirem em vantagens para os consumidores, a sua posição será favorável. Contudo, se a intenção for apenas aumentar o poder negocial com os fornecedores, a associação poderá apresentar uma queixa à AdC, como já fez no passado.
A preocupação da Centromarca remonta a 2009, quando a associação denunciou à AdC um acordo entre Auchan e Makro, questionando as suas implicações concorrenciais. Pimentel também levanta questões sobre a nova central de compras, a Connexio, que está integrada numa estrutura internacional chamada Aura Retail. “Como se jogam as negociações entre entidades internacionais e nacionais sem duplicação de pedidos?”, questiona.
A nova central de compras visa permitir que Auchan e Intermarché, que representam cerca de 7% do mercado cada, consigam negociar como se fossem 15%. No entanto, cada uma continuará a operar de forma independente, o que pode gerar tensões no mercado. A história de tentativas anteriores de centralização, como a InterCompra e a Cindia, mostra que tais iniciativas podem não resultar em melhorias significativas.
A Centromarca acredita que a nova central deve contribuir para a sustentabilidade do setor, promovendo um equilíbrio nas relações comerciais. “Estamos disponíveis para dialogar com todos os stakeholders e acompanhar de perto a evolução desta iniciativa”, afirma Pimentel. A associação defende que a criação de condições de competitividade é essencial num mercado tão dinâmico, onde a marca própria tem um papel preponderante.
Fundada em 1994, a Centromarca reúne mais de 60 associados, representando 7,5 mil milhões de euros em volume de negócios e gerando uma receita fiscal de 2,2 mil milhões de euros. A associação continua atenta ao impacto da nova central de compras na dinâmica do mercado e na relação com os consumidores. Leia também: “Auchan e Intermarché criam plataforma de parceria de compras”.
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Fonte: ECO





