Processos na Procuradoria Europeia em Portugal valem quase mil milhões

As investigações em curso na Procuradoria Europeia (EPPO) relacionadas com Portugal somam quase mil milhões de euros em prejuízos estimados aos fundos comunitários. De acordo com o relatório anual de atividades da EPPO, divulgado recentemente, os casos de corrupção representam cerca de 25% desse montante.

Até 31 de dezembro de 2025, estavam ativos 102 inquéritos em Portugal, totalizando prejuízos estimados em 952,2 milhões de euros. As fraudes associadas a receitas comunitárias, como fraudes ao IVA e tarifas aduaneiras, destacam-se como as mais significativas, com um total de 515,75 milhões de euros em 37 investigações.

Além disso, as fraudes relacionadas com subsídios e pagamentos, que constituem a maior parte dos processos em curso, totalizam 413 milhões de euros em prejuízos. Dentre os 59 inquéritos nesta categoria, 15 estão ligados a casos de corrupção, que sozinhos representam 249,67 milhões de euros.

O procurador europeu português, José Ranito, aponta que o aumento dos crimes de corrupção está associado ao risco elevado de fraudes ligadas ao Programa de Recuperação e Resiliência (PRR). Em 2025, Portugal tinha 16 inquéritos relacionados com fraudes ao PRR, o dobro dos oito processos registados em 2024.

Os dados também revelam que existem 33 inquéritos abertos por Portugal relativos a fraudes com despesas não relacionadas com adjudicação de contratos, 21 sobre contratação pública e 24 sobre participação em criminalidade organizada. Além disso, há 29 inquéritos relacionados com fraudes a programas de desenvolvimento rural e urbano.

A EPPO, que opera como um Ministério Público independente e especializado, foi criada em junho de 2021 e tem a capacidade de investigar e instaurar ações penais contra crimes que lesem os interesses financeiros da União Europeia, como fraude e corrupção.

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Em termos mais amplos, a fraude ao IVA e tarifas aduaneiras na UE está a ser alvo de uma investigação que ascende a 45 mil milhões de euros. O relatório da EPPO destaca a preocupação com redes criminosas, especialmente de origem chinesa, que controlam toda a cadeia de fraude.

Em 2025, a EPPO abriu 2.030 novas investigações, um aumento de 35% em relação ao ano anterior. Os casos de fraude com subsídios e pagamentos representam 68% das investigações em curso, embora apenas 27% do total de prejuízos em análise.

A crescente complexidade e especialização destes crimes exigem uma cooperação mais eficaz entre as autoridades. O relatório alerta ainda para o elevado risco de fraude e corrupção, especialmente com os desembolsos esperados no final de 2026.

Leia também: A evolução das fraudes financeiras em Portugal.

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Fonte: ECO

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