Os Estados Unidos da América têm uma longa história de interferência internacional, muitas vezes justificada pela promoção da democracia e do liberalismo. Esta abordagem, que remonta a presidentes como Woodrow Wilson, é vista como uma obrigação moral e uma necessidade para o desenvolvimento do país. Wilson, por exemplo, defendeu a entrada dos EUA na I Guerra Mundial com a ideia de que “o mundo precisa de se tornar um lugar seguro para a democracia”. Contudo, a realidade tem mostrado que a derrubada de regimes nem sempre resulta na regeneração esperada.
Ao longo das últimas décadas, presidentes como John F. Kennedy, Ronald Reagan e George W. Bush seguiram esta doutrina, mas os resultados têm sido frequentemente dececionantes. A interferência dos EUA no Afeganistão e na Líbia, por exemplo, não trouxe a estabilidade prometida. No caso do Iraque, a invasão em 2003, que visava estabelecer um “Iraque livre”, resultou em milhares de mortes e um custo exorbitante, sem contar a contribuição para a emergência do ISIS. Os iraquianos, que esperavam uma transição para a democracia, acabaram por se tornar reféns da desordem.
Outro exemplo são as primaveras árabes, que resultaram em três países fragmentados e mergulhados em guerras civis, além de dois regressos a regimes autoritários. Estes casos evidenciam que a interferência dos EUA na promoção da democracia, muitas vezes, não produz os resultados desejados.
Atualmente, o foco da interferência dos EUA parece estar no Irão. A retórica em torno de uma possível intervenção militar justifica-se pela alegada promoção do terrorismo por parte do regime iraniano. Contudo, a história recente sugere que a simples derrubada de um regime não garante uma transição ordenada para a democracia. A falta de instituições sólidas e alternativas viáveis para gerir essa transição levanta sérias questões sobre o futuro.
O risco de um novo fracasso é elevado, e a falta de aprendizagem com experiências passadas é preocupante. A história mostra que intervenções deste tipo devem ser cuidadosamente planeadas, com uma estratégia clara de saída. Caso contrário, corre-se o risco de criar mais instabilidade e caos, o que, como qualquer investidor sabe, é o pior cenário possível.
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Fonte: Sapo





