A longevidade da população tem vindo a aumentar, mas viver mais anos não garante uma vida de qualidade. Segundo Joana Tavares de Almeida, presidente da Oficina da Compaixão, “depois da reforma, vivemos cerca de 20 anos, mas apenas sete são vividos com saúde”. Esta afirmação foi feita durante um debate sobre envelhecimento ativo, inserido na Semana da Formação Financeira 2026, promovida pelo Doutor Finanças.
A transição para a reforma pode ser um desafio, especialmente quando se considera a perda de autonomia e a solidão. Muitas vezes, as respostas formais, como lares e centros de dia, não correspondem às necessidades reais das pessoas. Tavares de Almeida sublinha que apenas 30% das pessoas se preparam adequadamente para a reforma. A falta de literacia financeira e uma cultura que evita discutir o envelhecimento são obstáculos significativos. No entanto, a boa notícia é que cada um pode tomar decisões que influenciam o seu futuro. “Viver melhor após a reforma depende de escolhas diárias e conscientes”, afirma a especialista.
Um exemplo inspirador é Júlia Beliz, que se reformou há sete anos e agora participa no projeto A Avó Veio Trabalhar. Este espaço reúne pessoas com mais de 60 anos que partilham interesses por trabalhos manuais e criatividade. Para Júlia, o projeto representa liberdade e propósito: “Não estou aqui para ganhar dinheiro, mas para me manter ativa e criativa”. Ela acredita que a atividade social e a criatividade são fundamentais para um envelhecimento ativo, desafiando a ideia de que a reforma é o fim de uma vida ativa.
A aprendizagem contínua é outro aspecto crucial. Júlia destaca que o cérebro humano tem um potencial enorme e não deve ser subestimado. “Não podemos deixar que ele se apague”, defende. A transição para a vida pós-profissional pode ser difícil, especialmente para aqueles que se definem pela sua carreira. “Temos de aprender a mandar em nós”, diz Júlia, enfatizando a importância de preparar essa fase antes da reforma.
Maria Seruya, artista plástica e dinamizadora do projeto Velhas Bonitonas, observa que muitos homens enfrentam dificuldades nesta transição, questionando a sua identidade. Ela defende que hobbies e atividades que estimulem o corpo e a mente são essenciais para preparar o futuro. “Precisamos de encontrar um propósito que dê sentido ao presente”, afirma.
Para promover o envelhecimento ativo, Joana Tavares de Almeida faz uma analogia com a fábula da formiga: é fundamental preparar a velhice cuidando do corpo, da mente e das relações sociais desde já. “Devemos aceitar que somos seres interdependentes e que, em algum momento, iremos precisar de ajuda”, acrescenta. Além disso, é importante discutir a velhice e a morte sem tabus, pois são partes naturais da vida.
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envelhecimento ativo envelhecimento ativo Nota: análise relacionada com envelhecimento ativo.
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Fonte: Doutor Finanças





