A Semapa anunciou a venda da Secil à espanhola Molins, num negócio que rendeu 1.081 milhões de euros. Este encaixe financeiro será utilizado para investir em novos negócios industriais com boas perspetivas de crescimento e exposição a mercados internacionais, conforme afirmou o CEO, Ricardo Pires, em declarações ao ECO. A empresa não prevê, no entanto, a distribuição de um dividendo extraordinário aos acionistas.
Ricardo Pires destacou que a Semapa continuará a procurar oportunidades de investimento, tanto em Portugal como em outros países, com um foco especial na Europa. O objetivo é contribuir para o desenvolvimento das empresas participadas e diversificar a carteira de investimentos. “Estamos atentos a oportunidades industriais, especialmente na área da transição energética, que inclui soluções inovadoras e produtos que possam fortalecer a competitividade da Europa”, afirmou o CEO.
A Semapa já tem um histórico de investimentos na área industrial. Em julho do ano passado, adquiriu a Imedexa, uma empresa líder europeia na fabricação de estruturas metálicas para infraestruturas elétricas, por 148 milhões de euros. Em 2025, a participada ETSA também adquiriu a espanhola Barna por 33,5 milhões. Ricardo Pires sublinhou que a Semapa tem no seu ADN a realização de investimentos com uma forte componente industrial, sempre com o objetivo de criar valor a longo prazo.
“Vamos continuar a procurar negócios industriais com boas perspetivas de crescimento e exposição a mercados externos, talvez com uma menor intensidade de capital”, reiterou Pires. A venda da Secil altera o perfil do grupo, que agora se concentra numa única empresa de maior dimensão, permitindo a análise de oportunidades que possam trazer um impacto positivo ao portefólio.
Em termos financeiros, a Semapa registou uma diminuição de 33% nos lucros atribuíveis aos acionistas em 2025, totalizando 156,6 milhões de euros, em grande parte devido à quebra na contribuição da Navigator. A venda da Secil gerou uma mais-valia contabilizada em 400 milhões de euros, cujo impacto será refletido nas contas deste ano.
Com este encaixe, a Semapa melhora a sua posição de dívida líquida, que se situava em 1.006,1 milhões de euros no final de 2025. Esta situação financeira saudável coloca o grupo numa posição favorável para explorar novas oportunidades de investimento, sempre com disciplina e foco na criação de valor para os acionistas.
Na divulgação dos resultados, a Semapa, que é detida em 83,2% pela SODIM, anunciou que irá propor à Assembleia Geral de acionistas um dividendo de 0,626 euros por ação, igual ao distribuído em 2024. Questionado sobre a possibilidade de um dividendo extraordinário, Ricardo Pires deixou claro que não estão previstas propostas adicionais neste sentido.
A Secil, agora sob a alçada da Molins, foi vendida a uma empresa com uma visão industrial e compromisso com o desenvolvimento. “A Molins demonstrou que pretende dar continuidade ao legado da Semapa e reforçar a sua presença no mercado português”, concluiu Pires.
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Fonte: ECO





