Casais com dois salários médios não conseguem comprar casa em Lisboa

O mercado imobiliário em Portugal continua a apresentar preços elevados, o que dificulta a compra de casa para muitos casais. De acordo com o Observatório do Imobiliário em Portugal, o preço médio dos imóveis à venda em março alcançou os 3.693 euros por metro quadrado (m²), com diferenças significativas entre as várias regiões do país.

Neste cenário, casais que recebem dois salários mínimos, totalizando 1.840 euros líquidos, encontram dificuldades em suportar a prestação de um crédito à habitação sem comprometer o seu orçamento. A prestação média dos apartamentos à venda ultrapassa 35% do rendimento mensal, o que excede o limite recomendado pelo Banco de Portugal, especialmente nas regiões mais caras, como Lisboa, Faro, Setúbal e Madeira.

No entanto, a situação não é exclusiva para quem tem rendimentos mais baixos. Mesmo casais com salários médios enfrentam desafios para manter uma taxa de esforço sustentável ao adquirir uma casa. Em Lisboa, Madeira e Setúbal, a realidade é que a compra de um imóvel se torna praticamente impossível.

A taxa de esforço é a percentagem do rendimento mensal que se destina ao pagamento da prestação da casa. O ideal é que esta não ultrapasse os 30% a 35%. Contudo, nas áreas com maior pressão imobiliária, este limite é frequentemente ultrapassado, mesmo para imóveis de menor dimensão.

Em Lisboa, Faro e Madeira, a prestação de um apartamento T2 consome mais de metade do rendimento mensal de um casal com salários médios. Em Lisboa, por exemplo, um T0 ou T1 tem prestações que variam entre 1.105 euros e 1.210 euros, absorvendo entre 41% e 44% do rendimento. Para um T2, a prestação média é de 1.613 euros, correspondendo a cerca de 59% do rendimento.

Leia também  Tempestade Kristin: Luz só regressa a 23 de fevereiro

Na Madeira, a situação é ainda mais crítica, com a prestação de um T2 a representar 69% do rendimento mensal de um casal com salários médios. No Algarve, apenas os T0 permitem uma taxa de esforço razoável, enquanto os T2 podem atingir 67%.

No Porto, a realidade é semelhante, onde apenas os T0 permitem manter um orçamento equilibrado. Os T1 exigem mais de um terço do rendimento, e os T2 e T3 ultrapassam os 46% e 73%, respetivamente.

Para os casais que recebem salários mínimos, a situação é ainda mais complicada. O desfasamento entre os rendimentos e os preços dos imóveis é tal que, em Lisboa, Faro, Setúbal e Madeira, a prestação de um apartamento T0 ou T1 ultrapassa frequentemente 50% do rendimento mensal, resultando numa taxa de esforço preocupante.

Fora das zonas metropolitanas, a situação é menos crítica, com preços por metro quadrado significativamente mais baixos. Distritos como Guarda, Bragança e Castelo Branco apresentam valores abaixo dos 1.000 euros/m², permitindo que os casais com salários médios mantenham uma taxa de esforço abaixo dos 35%.

Em suma, os preços do imobiliário em Portugal continuam a ser um obstáculo significativo para muitos casais, especialmente nas regiões mais procuradas. A acessibilidade à habitação é uma questão que merece atenção e soluções eficazes.

Leia também: Preço das casas em Portugal ronda os 3.700 euros/m².

preços do imobiliário preços do imobiliário preços do imobiliário preços do imobiliário Nota: análise relacionada com preços do imobiliário.

Leia também: Providência cautelar da Menzies suspende decisão da ANAC

Fonte: Doutor Finanças

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top