Nasceu em Portugal a primeira Fundação Empresa, uma iniciativa inovadora que combina a lógica empresarial com uma missão de impacto social. O grupo Mendes Gonçalves, conhecido pela sua marca de molhos e temperos Paladin, decidiu seguir o exemplo de modelos de sucesso internacional, como IKEA e LEGO, criando esta estrutura que detém parcialmente uma empresa. Carlos Mendes Gonçalves, CEO do grupo, explica que a Fundação já possui 30% da sua cota, com a ambição de se tornar a proprietária total da empresa, garantindo assim a sua continuidade.
Ricardo Garcia, Secretário-Geral do Centro Português de Fundações, esclarece que este modelo é pioneiro em Portugal e permite que a Fundação seja financiada através dos dividendos gerados pela atividade empresarial. “Isto cria uma base estável para apoiar iniciativas de interesse público”, afirma. Além disso, a estrutura protege a empresa de pressões de curto prazo, promovendo uma visão estratégica a longo prazo.
Carlos Mendes Gonçalves destaca que a criação da Fundação Empresa surgiu da sua preocupação em assegurar o futuro da empresa e da comunidade. “A partir do momento em que a empresa estiver na Fundação, terá de seguir os objetivos delineados, como permanecer na Golegã e destinar parte da receita à Fundação”, explica. Este modelo é utilizado por algumas das empresas mais bem-sucedidas do mundo, como Bosch e Rolex.
A Fundação Mendes Gonçalves, liderada por Tiago Pereira, tem como principal objetivo criar um impacto social duradouro, focando na educação e no desenvolvimento comunitário. Com um capital social inicial de 250 mil euros e um orçamento anual de cerca de 1,5 milhões de euros, a Fundação está a desenvolver um projeto central: a Escola Mendes Gonçalves. Esta escola, que incluirá berçário, jardim de infância e primeiro ciclo, pretende atender cerca de 300 crianças, com especial atenção aos primeiros anos de vida, onde existe uma lacuna significativa.
A escola será pública e está a ser projetada pelo arquiteto japonês Tezuka, conhecido por criar espaços para crianças. Além da escola, a Fundação está a implementar formações para amas e a desenvolver iniciativas em agricultura regenerativa e nutrição, promovendo práticas sustentáveis e fortalecendo as comunidades locais. “Queremos criar um modelo de impacto duradouro que inspire mudanças reais na região”, conclui Tiago Pereira. Prevê-se que a escola esteja concluída até 2028, marcando o início de uma transformação que vai muito além das salas de aula.
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Fonte: Sapo





