Um estudo recente realizado por Anastasios Limnios, doutorando na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, destaca a urgência de uma agricultura responsável. A sua investigação revela que o uso de pesticidas, como o glifosato, representa uma ameaça significativa para os ecossistemas agrícolas, sublinhando a necessidade de práticas mais sustentáveis.
As conclusões do estudo, publicadas na revista científica Environmental Research, enfatizam que é crucial compreender os efeitos da interação entre múltiplos químicos e as alterações climáticas nas espécies. Limnios, que está a desenvolver a sua tese no BIOPOLIS-CIBIO, em colaboração com instituições de Atenas, Lyon e a Academia Checa de Ciências, analisou lagartixas-de-Bocage (Podarcis bocagei), uma espécie comum em ambientes agrícolas.
Os resultados da pesquisa mostram que as lagartixas alimentadas com vermes contaminados com doses legais de glifosato, em diferentes temperaturas (18, 25 e 29 ºC), apresentaram um aumento do stress oxidativo. Este fenómeno obriga os animais a um esforço metabólico adicional para se desintoxicar, o que compromete os recursos que poderiam ser utilizados para o crescimento e a reprodução.
Embora o estudo não tenha encontrado um aumento direto dos danos oxidativos, foi identificado que os espécimes maiores, expostos ao glifosato, apresentaram uma redução da energia disponível, afetando negativamente o seu crescimento e capacidade reprodutiva. Miguel Carretero, orientador de Limnios, alerta que, se não forem tomadas medidas, esses efeitos podem levar à extinção das lagartixas e à perda dos serviços ecológicos que estas prestam, como o controlo de pragas.
O estudo também destaca que a combinação do tamanho dos animais e a exposição a químicos tóxicos pode ameaçar as populações em ambientes agrícolas, uma vez que os espécimes maiores têm um papel reprodutivo mais significativo. Esta evidência é crucial para futuras avaliações de risco e para a conservação de espécies vulneráveis à exposição ao glifosato.
Carretero acrescenta que o problema não se limita apenas às lagartixas, mas afeta a dinâmica dos ecossistemas agrícolas como um todo. A solução não deve ser o abandono total dos pesticidas, que ainda são necessários para o controlo de pragas, mas sim a sua utilização equilibrada. O uso excessivo de pesticidas pode resultar em custos adicionais para os agricultores e riscos para a saúde dos consumidores, uma vez que se associam a efeitos cancerígenos.
“Uma agricultura responsável e um consumo consciente são fundamentais para travar esta corrida”, conclui Miguel Carretero. O estudo fornece informações científicas validadas que podem ajudar agricultores, consumidores e autoridades a tomarem decisões mais informadas e sustentáveis.
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Fonte: Sapo





