As petrolíferas e as empresas de gás estão a registar lucros extraordinários em meio ao contexto de guerra, o que levanta um debate sobre a moralidade desses ganhos. Para alguns, é natural que estas empresas aproveitem oportunidades de mercado, uma vez que operam num setor de capital intensivo e com riscos elevados. No entanto, outros argumentam que esses lucros são obtidos à custa dos consumidores, acusando as empresas de ganância desenfreada.
A verdade é que, em tempos de crise, quem pode lucrar, normalmente, o faz. A entrada no setor energético é dispendiosa e, embora os prejuízos sejam raros, quando ocorrem, exigem uma gestão cuidadosa. Neste cenário, é surpreendente que a Saudi Aramco, a gigante petrolífera da Arábia Saudita, seja uma das que mais está a faturar, mesmo enfrentando ataques de mísseis e drones. O país sofre, mas a empresa prospera, levantando questões sobre a justiça e a equidade neste sistema.
A proposta de implementar taxas sobre lucros extraordinários surge como uma solução viável em situações como esta. Contudo, é importante ter em mente que os governos, incluindo o português, podem acabar por se viciar em receitas fáceis, transformando o extraordinário em algo permanente. Isso gera desconfiança em relação à utilização de justificativas excepcionais.
Além disso, Bruxelas tem vindo a trabalhar para criar campeões nacionais que tornem a União Europeia (UE) mais competitiva. Após críticas à sua inércia, a UE está a tomar medidas para regular a compra de empresas europeias por capital chinês em setores estratégicos. A intenção é garantir que as empresas da UE não se tornem meros centros de montagem de tecnologia já desenvolvida na China, exigindo acesso real à tecnologia.
Contudo, cada país terá a palavra final, o que pode levar à desunião habitual. Atualmente, as 10 maiores empresas portuguesas são classificadas como grandes empresas, mas, em termos de competitividade, muitas estão mais próximas de empresas regionais do que dos verdadeiros campeões europeus. Se ocorrer uma onda de fusões transnacionais, as empresas portuguesas poderão ser mais frequentemente presas do que predadores.
Portanto, é fundamental refletir sobre o que se deseja neste contexto. A realidade é que não será possível agradar a todos, e o futuro das empresas portuguesas na arena europeia poderá ser um desafio. Leia também: O impacto das fusões transnacionais na economia portuguesa.
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Fonte: Sapo





