Annalena Baerbock defende reforma urgente da ONU

Annalena Baerbock, presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, afirmou em entrevista à Lusa que “nada estaria melhor no mundo” sem a ONU, embora reconheça que a organização precisa de uma reforma urgente. Eleita em junho para liderar a 80.ª sessão da Assembleia-Geral, Baerbock sublinhou que o lema do seu mandato, “Melhor Juntos”, foi amplamente acolhido pelos Estados-membros, demonstrando a crença na ordem internacional e na importância do sistema multilateral.

A ex-ministra alemã destacou que, apesar da pressão crescente sobre a ONU, a organização é essencial para a sobrevivência global. “Esta organização não foi construída para tempos fáceis, mas sim para tempos difíceis”, disse Baerbock, enfatizando que o futuro do planeta depende da capacidade da ONU de se reformar e de cumprir o seu papel diariamente.

Atualmente, a ONU enfrenta uma crise multidimensional que ameaça a sua influência e orçamento, especialmente num contexto de incerteza geopolítica e mudanças no poder global. António Guterres, o secretário-geral da ONU e ex-primeiro-ministro português, tem tentado convencer o mundo da vitalidade da organização, mas a sua influência tem sido questionada, em parte devido a cortes de financiamento de países como os Estados Unidos, que é o maior doador e acolhe a sede da instituição em Nova Iorque.

O Conselho de Segurança da ONU, frequentemente considerado obsoleto, é um dos principais alvos de pedidos de reforma. Países emergentes como a Índia, África do Sul e Brasil têm manifestado interesse em se juntar aos cinco membros permanentes do Conselho. Apesar de quase todos os países da ONU reconhecerem a necessidade de reformar o Conselho de Segurança, não há consenso sobre como proceder, com várias propostas em discussão há anos, incluindo a representação africana permanente.

A questão do poder de veto tem sido uma das mais polémicas, sendo frequentemente utilizada por países como a Rússia e os Estados Unidos para bloquear ações do Conselho. Baerbock reconheceu que reformar o sistema de veto é uma tarefa difícil, uma vez que os cinco membros permanentes, conhecidos como “P5” – China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia – detêm esse poder por razões históricas. No entanto, ela defendeu que o sistema “não pode continuar assim”.

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Recentemente, foi introduzida uma iniciativa que exige uma discussão na Assembleia-Geral após qualquer veto do Conselho, aumentando a influência desta última nas decisões da ONU. Baerbock revelou que está a ser preparado um novo debate sobre o veto, considerando-o um passo importante na reforma da organização.

“Estamos a trabalhar intensamente em mais passos de reforma. Para uma grande reforma, seria necessário o apoio dos P5, mas, nestes tempos fragmentados, temos de avançar primeiro com passos de reforma mais pequenos. Caso contrário, a credibilidade da ONU ficará fortemente pressionada”, concluiu Annalena Baerbock.

Leia também: O papel da ONU na atualidade.

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Fonte: Sapo

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