São Tomé e Príncipe, um país que tem enfrentado diversos desafios políticos e económicos, apresentou recentemente um ambicioso plano estratégico de desenvolvimento com vista a uma transformação económica até 2040. Este plano foi delineado durante o Fórum de Investimento São Tomé e Príncipe 2040, realizado em Bruxelas, onde o governo destacou a importância da continuidade das políticas públicas, da atração de investimento internacional e do desenvolvimento sustentável.
Com uma população de cerca de 235 mil habitantes, o país foca a sua transformação económica em quatro setores principais: biodiversidade, economia azul, produção de cacau e ecoturismo. Este enfoque visa superar as dificuldades resultantes da diminuição da ajuda internacional e das severas restrições orçamentais que têm afetado o país. Assim, São Tomé e Príncipe procura alinhar o capital público e privado, juntamente com o financiamento climático, dentro de um quadro integrado.
O plano de transformação económica é sustentado por quatro pilares fundamentais: a execução consistente das políticas públicas ao longo dos próximos 14 anos, a captação de investimento internacional, a transição energética com ênfase nas energias renováveis e a melhoria das infraestruturas. Além disso, o governo pretende reformar o ordenamento do território e melhorar os serviços públicos, incluindo o setor da justiça, como forma de atrair mais investimento externo.
Um dos aspetos distintivos de São Tomé e Príncipe é o facto de ser o primeiro país do mundo onde 100% do seu território foi classificado como Reserva da Biosfera pela UNESCO. Esta designação oferece uma oportunidade única para o desenvolvimento económico, que deve ser equilibrado com a conservação ambiental. Para os investidores, esta realidade proporciona uma visão de longo prazo, ancorada na sustentabilidade, independentemente das mudanças políticas.
Apesar do seu tamanho reduzido, São Tomé e Príncipe possui uma zona económica exclusiva que abrange cerca de 160 mil km² de oceano, quase 160 vezes a sua área terrestre. A localização estratégica do arquipélago nas principais rotas atlânticas permite ao país explorar a economia azul, que inclui a pesca sustentável, ciências marinhas e energias renováveis offshore, como um dos pilares do seu crescimento futuro.
No que diz respeito à produção de cacau, São Tomé e Príncipe é conhecido pela qualidade superior do seu produto, com uma produção anual estimada em cerca de quatro mil toneladas. Embora não seja um grande produtor, o país destaca-se por cumprir rigorosamente as regulamentações anti-desmatamento e por oferecer produtos com rastreabilidade. O foco está na criação de valor local, através da produção de chocolate premium e parcerias que valorizam a qualidade.
Por outro lado, o país não é um destino de turismo de massa, o que representa uma oportunidade para o desenvolvimento de um turismo de nicho, altamente valorizado. A estratégia do governo é manter a costa praticamente intocada, apostando em modelos de alto valor unitário que atraem investidores interessados em ecoturismo.
O financiamento necessário para implementar este plano de transformação económica é estimado em 500 milhões de euros. Embora este montante não seja elevado em termos absolutos, representa mais do dobro do Orçamento do Estado, que para este ano foi fixado em 233 milhões de euros, dos quais apenas 56 milhões são destinados a investimentos públicos.
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Fonte: Sapo





