Após anos de inflação elevada e perda de poder de compra, o debate sobre aumentos salariais ganha destaque em Portugal e na Europa. A questão central é: os aumentos salariais previstos para 2026 serão suficientes para acompanhar a inflação ou até superá-la? As perspetivas atuais indicam um cenário moderadamente positivo, mas é crucial analisar o impacto dos custos de energia, que continuam a ser uma preocupação crescente para famílias e empresas.
Na Europa, a inflação tem mostrado uma tendência de desaceleração ao longo de 2025, aproximando-se de níveis que favorecem a estabilidade económica. Na Zona Euro, os valores estão abaixo dos picos pós-pandemia, embora existam diferenças significativas entre os países. As previsões apontam para uma inflação média abaixo dos 3%, mas essa taxa pode ser volátil, especialmente em países mais dependentes da evolução dos preços da energia.
Em Portugal, apesar da desaceleração global da inflação, certos custos continuam a aumentar a um ritmo superior à média, com destaque para a eletricidade, gás, combustíveis e habitação. O preço do petróleo tem um papel crucial, pois afeta diretamente os custos energéticos e, indiretamente, os preços de bens e serviços essenciais.
No que diz respeito aos aumentos salariais, as previsões para 2026 na Europa indicam uma estabilidade nos orçamentos, com aumentos médios entre 3% e 3,5%. Contudo, as empresas estão a adotar uma postura mais cautelosa, focando no controlo de custos e na sustentabilidade financeira. Em Portugal, essa abordagem é ainda mais seletiva, com uma maior diferenciação consoante a função, competências e desempenho dos colaboradores.
É importante distinguir entre aumento nominal e aumento real. O aumento nominal refere-se ao valor percentual do aumento salarial, enquanto o aumento real considera o efeito da inflação. Por exemplo, se a inflação for de 2% e o aumento salarial de 3,2%, o aumento real será de 1,2%. Isso significa que, em média, 2026 deverá trazer aumentos reais na maioria dos países europeus, incluindo Portugal.
Apesar de aumentos reais, muitos trabalhadores sentem que o seu orçamento mensal continua pressionado, principalmente devido aos custos da energia. O aumento do preço do petróleo impacta diretamente as despesas das famílias, afetando não só os combustíveis e a eletricidade, mas também os preços de bens e serviços, como alimentação e transportes. Mesmo com a inflação controlada, os aumentos da energia podem consumir parte significativa do aumento salarial real, reduzindo o impacto positivo sentido pelas famílias.
Para as empresas, o aumento dos custos de energia eleva os custos operacionais e pressiona as margens de lucro, levando a uma abordagem cautelosa em relação à política salarial. As organizações estão a evoluir para uma visão mais integrada da compensação, onde os aumentos salariais são direcionados para competências críticas e funções estratégicas. Além disso, a diversidade económica entre os países europeus exige adaptações nas políticas de remuneração.
Por fim, a comunicação e transparência são essenciais. Explicar como são tomadas as decisões salariais e o que constitui um aumento real é fundamental para reforçar a confiança e a retenção de talento.
Em resumo, as expectativas para 2026 indicam que os aumentos salariais poderão superar a inflação, gerando ganhos reais de poder de compra. No entanto, esses ganhos são moderados e coexistem com pressões significativas, especialmente relacionadas aos custos de energia. O desafio para as empresas será equilibrar competitividade e sustentabilidade, garantindo que os colaboradores sintam segurança e confiança no futuro.
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Fonte: ECO





