Banco de Portugal pode aumentar taxa de stress no crédito à habitação

O Banco de Portugal está a desenvolver novas medidas macroprudenciais para enfrentar o crescente risco bancário associado à garantia pública do crédito à habitação para jovens até 35 anos. Fontes próximas do processo indicam que a instituição poderá aumentar a taxa de stress aplicada nas simulações de crédito, que atualmente é de 1,5 pontos percentuais acima da taxa de juro contratual, geralmente a Euribor mais spread.

Esta taxa de stress, que já foi de 3 pontos percentuais, foi reduzida em 2023 para atenuar o impacto do aumento das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE) e facilitar o acesso ao crédito à habitação. Contudo, a recente evolução do mercado financeiro e o aumento do risco bancário levaram o Banco de Portugal a considerar uma reversão desta decisão.

A garantia pública tem permitido que mais de 25 mil contratos de crédito à habitação sejam celebrados por jovens, com rácios de loan-to-value (LTV) que chegam a 100%. No entanto, o Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, expressou preocupações sobre o impacto desta medida no aumento da procura de habitação e, consequentemente, na subida dos preços. Santos Pereira defende que a prioridade deve ser o aumento da oferta habitacional, propondo uma maior celeridade nos processos de licenciamento para construção.

Recentemente, o Governador partilhou nas redes sociais que, em 2025, a dívida das famílias em relação ao PIB deverá aumentar de 54,9% para 56,1%. Além disso, a dívida das famílias em percentagem do rendimento disponível também subiu, atingindo 80,4% no terceiro trimestre de 2025, comparado com 79,1% no final de 2024. Este aumento é atribuído principalmente ao crescimento do crédito à habitação, que tem impulsionado o endividamento das famílias, revertendo uma tendência de diminuição observada nos anos anteriores.

Leia também  Transferências instantâneas em Moçambique sem custos

Os dados divulgados pelo Banco de Portugal revelam que, em fevereiro deste ano, o endividamento das famílias aumentou em mais de 900 milhões de euros, o que representa um crescimento de 8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Este cenário tem levado o Governador a manifestar-se contra a proposta do Governo de aumentar o montante da garantia do Estado aos bancos para 2.300 milhões de euros.

No Relatório de Acompanhamento das Medidas Macroprudenciais em Portugal, publicado no final de março, o Banco de Portugal já havia alertado que a garantia pública estava a aumentar o risco dos mutuários. Em 2025, com a aplicação da garantia, a proporção de mutuários classificados como de risco elevado (com rácio acima de 90% ou taxa de esforço superior a 60%) subiu de 0,1% para 19%.

Leia também: O impacto das taxas de juro no crédito à habitação.

Leia também: Ações de dividendos da Oneok superam o mercado em 2026

Fonte: Sapo

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top