O Partido Socialista (PS) manifestou, na quinta-feira, a sua indignação em relação à postura do Governo na negociação da reforma laboral, acusando-o de agir de “má-fé”. O deputado Miguel Cabrita referiu-se a um “simulacro de negociação” após nove meses sem avanços significativos e exigiu uma posição clara do Executivo sobre o futuro deste processo.
A crítica do PS surge logo após a UGT ter rejeitado, por unanimidade, a proposta apresentada pelo Governo. Miguel Cabrita afirmou que não é aceitável que a situação continue sem uma verdadeira negociação. “Não pode continuar este simulacro de negociação”, afirmou, sublinhando que o Executivo deve decidir se vai alterar a proposta ou se prefere encerrar o diálogo.
O deputado socialista destacou que, apesar das várias reuniões realizadas, a proposta do Governo “pouco ou nada evoluiu nas suas traves fundamentais”. Para Cabrita, isso compromete a credibilidade do processo negocial, levando-o a afirmar que “em certos momentos, parece uma negociação de má-fé por parte do Governo”.
Além disso, o PS acusou o Executivo de exercer pressão indevida sobre os parceiros sociais, mencionando alegadas campanhas de desinformação e tentativas de descredibilização das posições divergentes, especialmente da UGT. “Quem negoceia de boa-fé não se comporta deste modo”, declarou, enfatizando que todos os parceiros têm participado nas negociações com abertura, ao contrário do que considera ser a postura inflexível do Governo.
O deputado do PS rejeitou ainda a ideia de que a UGT tenha se afastado do processo, afirmando que foi o próprio Governo que “se colocou de fora” ao não demonstrar vontade de rever os pontos essenciais da proposta. Para o PS, o principal obstáculo ao acordo reside na recusa do Executivo em modificar os pilares estruturais da reforma laboral, que considera desfavoráveis aos trabalhadores.
Cabrita expressou ceticismo quanto à possibilidade de mudanças significativas na fase parlamentar, afirmando que “se o Governo não foi capaz de evoluir durante nove meses, não será agora que o fará”. No entanto, caso a proposta avance para a Assembleia da República, o PS assegurou que apresentará iniciativas para corrigir os aspetos que considera negativos.
“O PS terá propostas que beneficiem os trabalhadores e representem avanços para a economia”, disse Cabrita, embora não espere uma alteração de posição do Governo, tendo em conta o histórico recente das negociações. Ele destacou que o atual contexto económico, caracterizado por níveis elevados de emprego e redução da precariedade, não justifica alterações que possam fragilizar os direitos laborais.
O processo de reforma laboral, portanto, atinge um ponto crítico, com o PS a exigir que o Governo clarifique se está disposto a negociar ou se prefere avançar com a proposta tal como está. A tensão política em torno da reforma laboral está a aumentar, com os socialistas a endurecerem o seu discurso e a acusarem o Executivo de comprometer o diálogo social.
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Fonte: ECO





