Um estudo recente revela que a sobreeducação, definida como a situação em que o nível de escolaridade de um trabalhador é superior ao exigido para a sua função, resulta numa perda salarial de 32% no setor da restauração. Esta análise, divulgada pelo PLANAPP — Centro de Planeamento e Avaliação de Políticas Públicas, destaca que este fenómeno afeta de forma mais acentuada as mulheres com idades mais avançadas, que enfrentam uma penalização salarial de 30%.
A pesquisa, intitulada “Desajuste educacional no mercado de trabalho: incidência e impacto salarial em Portugal”, mostra que a sobreeducação também penaliza os trabalhadores estrangeiros em 30% e os profissionais do setor de atividades de apoio social em 28%. O estudo revela que 16% dos diplomados em Portugal possuem qualificações superiores às exigidas para os seus empregos.
Além da restauração, o comércio a retalho apresenta uma penalização de 26%, enquanto os serviços sociais registam um impacto salarial que varia entre 26% e 24%. Este efeito é calculado através da comparação entre os salários efetivamente recebidos e os salários que seriam esperados se os trabalhadores estivessem a exercer funções adequadas ao seu nível de educação.
Em 2010, a taxa de sobreeducação entre licenciados no setor privado e em contratos individuais no setor público era de 20%, tendo diminuído para 12% em 2012. Desde 2013, observou-se um aumento gradual, que se aproximou dos 15% no final da década. Durante o período de 2010 a 2011, as mulheres apresentavam uma taxa de sobreeducação superior à dos homens, com mais de 20% contra cerca de 16% dos homens. Este cenário sugere que, durante a crise de desemprego, as mulheres foram mais afetadas, optando por aceitar empregos que não correspondiam às suas qualificações para evitar o desemprego.
A análise também indica que a sobreeducação afeta mais as mulheres até aos 30 anos, mas a partir dessa idade, as taxas tendem a convergir entre os géneros. Entre os 40 e os 60 anos, os homens são mais afetados. Em 2021, as taxas de sobreeducação variaram consoante as áreas de formação, com 25,2% dos licenciados em indústrias transformadoras, seguidos por 25% em serviços de segurança e 24,7% em serviços pessoais.
Os dados utilizados nesta análise provêm de microdados administrativos do Ministério do Trabalho, abrangendo o setor privado e contratos individuais do setor público. A sobreeducação é um fenómeno que continua a ter um impacto significativo no mercado de trabalho português, refletindo a necessidade de uma melhor adequação entre a formação académica e as exigências do mercado.
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Fonte: ECO





