Avis: A nova meme stock que causou perdas de 3,4 mil milhões

A Avis tornou-se uma das empresas mais faladas nos mercados financeiros em abril, destacando-se como uma nova meme stock. Em pouco tempo, a sua valorização disparou, seguindo o mesmo padrão que outras ações populares, mas logo se seguiu uma desvalorização abrupta. Esta volatilidade transformou-se num verdadeiro pesadelo para os short sellers, investidores que apostam na queda do preço das ações. Estes foram forçados a fechar as suas posições, temendo perdas ainda maiores.

Segundo a Reuters, os short sellers enfrentaram um prejuízo de 4,09 mil milhões de dólares (cerca de 3,4 mil milhões de euros) em abril, com 1,01 mil milhões de dólares (850 milhões de euros) perdidos apenas a 20 de abril, quando a ação da Avis subiu 23%. No dia seguinte, as negociações foram interrompidas várias vezes devido a uma nova subida de 9%, o que levou a perdas ainda maiores para aqueles que não fecharam as suas posições.

A volatilidade da Avis é evidente, com uma valorização de 380% entre 27 de março e 21 de abril, seguida de uma desvalorização de 71% entre 21 e 24 de abril. No dia 24 de abril, a ação caiu 10%. A CNBC reportou que foram negociados mais de 200 mil contratos relacionados com a Avis, com uma volatilidade implícita de 235%, muito superior aos 20% do S&P 500.

As comparações com episódios anteriores de meme stocks, como o da GameStop, começam a surgir, e a corretora XTB considera que estas semelhanças são, pelo menos em parte, justificadas. Mas o que está a causar esta volatilidade?

Antes da sua recente valorização, a Avis era uma ação pouco apreciada pelos investidores. Na segunda-feira da semana passada, 86,2% das ações em circulação eram posições curtas, de acordo com dados da Ortex. No entanto, a Avis é maioritariamente detida por dois fundos, o que facilita o fenómeno conhecido como short squeeze. A SRS Investment Management e a Pentwater Capital Management controlam mais de 71% das ações, o que limita a oferta disponível e expõe os short sellers a perdas ainda maiores.

Leia também  Warren Buffett abandona ETF recomendado: alerta para investidores?

A XTB explica que a combinação de um elevado rácio de posições curtas com uma oferta limitada de ações criou as condições ideais para uma forte subida. Pequenas variações na procura resultaram em oscilações de preços desproporcionais. A divulgação de uma posição significativa pela Pentwater Capital foi interpretada como um sinal de apoio institucional, contribuindo para a dinâmica de short squeeze.

Com a subida do preço das ações, os investidores que apostavam na descida foram forçados a fechar as suas posições, comprando ações a preços cada vez mais altos. Cada recompra forçada aumentou a procura, impulsionando ainda mais o preço. O analista chefe da Interactive Brokers, Steve Sosnick, destacou que a situação se agravou quando os detentores de ações dificultaram o empréstimo das mesmas, criando um ambiente propício para o short squeeze.

Em resumo, a valorização das ações da Avis não foi impulsionada por melhorias nos fundamentos da empresa, mas sim pela estrutura do mercado que obrigou os participantes a comprar. A Avis, que reportou prejuízos líquidos nos últimos anos, viu a sua valorização desligada dos resultados financeiros.

Leia também: O impacto das meme stocks no mercado financeiro.

Leia também: Perspetivas positivas para as ações da AppLovin

Fonte: Sapo

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top