As guerras sempre tiveram custos, mas a forma como esses custos são distribuídos mudou significativamente. A atual escalada de tensões entre os Estados Unidos e Israel não se limita ao campo de batalha; os seus efeitos reverberam por todo o sistema internacional, sendo suportados, em grande parte, por aqueles que não participaram nas decisões que levaram a este conflito.
As estimativas sobre o impacto económico da guerra contra o Irão são alarmantes. Acredita-se que o custo possa variar entre 0,5% e 0,8% do PIB global, o que representa entre 550 e 900 mil milhões de dólares. Este não é um custo marginal, mas sim um choque sistémico que pode comprometer o crescimento, o investimento e a estabilidade económica a nível mundial.
Além disso, projeta-se que mais de 30 milhões de pessoas possam ser empurradas para a pobreza, resultado de um efeito dominó que combina o aumento dos preços da energia, a inflação alimentar e uma contração económica generalizada. O preço do petróleo já reflete o risco geopolítico, com previsões que indicam que poderá manter-se acima dos 100 dólares por barril, um nível que pode paralisar economias inteiras.
Diante deste cenário, a pergunta que se impõe é: quem paga por esta irresponsabilidade hegemónica? No plano jurídico, a resposta deveria ser clara. A utilização da força sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU é uma violação do princípio de soberania e enfraquece a autoridade das Nações Unidas. No entanto, o sistema internacional contemporâneo parece operar de forma inversa: quanto maior o poder de um país, menor a probabilidade de ser responsabilizado.
Esta distorção estrutural resulta em decisões unilaterais cujos custos são distribuídos globalmente. Os países importadores de energia enfrentam choques inflacionários, as economias emergentes lidam com a fuga de capitais e o aumento do custo do crédito, e as cadeias produtivas são interrompidas. O crescimento desacelera não por falhas internas, mas devido a decisões externas que são impostas sem consulta.
Em qualquer sistema que funcione minimamente, decisões que causam danos coletivos deveriam implicar responsabilidade. Contudo, no sistema internacional atual, a irresponsabilidade é frequentemente protegida pela própria estrutura de poder. A hegemonia, que deveria ser um instrumento de estabilidade, transforma-se num vetor de risco.
Se o mundo está a arcar com a conta, não deveria também ter o direito de exigir responsabilidades? Enquanto essa questão permanecer sem resposta, o sistema internacional continuará a operar sob um princípio perigoso: a privatização das decisões e a socialização dos prejuízos.
A história, no entanto, não costuma tolerar assimetrias prolongadas. Quando a responsabilidade jurídica falha, outras formas de equilíbrio emergem, e, neste caso, a resposta poderá ser geopolítica.
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Fonte: Sapo





