Aperto no crédito aumenta risco de estagflação na zona euro

O receio de estagflação voltou a assolar a zona euro, com o Banco Central Europeu (BCE) a alertar para um agravamento nas condições de concessão de crédito nos últimos três meses. Este fenómeno surge em resposta ao aumento das expectativas de inflação entre as famílias, exacerbado pela instabilidade geopolítica no Médio Oriente e o subsequente choque energético. Em Portugal, a procura por crédito mantém-se robusta, ao contrário da tendência observada na média europeia.

Os critérios para a concessão de crédito nos bancos europeus tornaram-se mais rigorosos, especialmente desde o início dos bombardeamentos no Irão. Este endurecimento deve-se a uma maior perceção de risco por parte do setor financeiro, que enfrenta custos crescentes. O BCE revelou que esta deterioração das condições foi mais acentuada do que o esperado, sendo a Alemanha a mais afetada, devido à sua indústria intensiva em energia.

Enquanto isso, países como Itália, França e Espanha não registaram impactos significativos nas condições de crédito. Contudo, tanto a Alemanha como a Espanha viram um aumento nas rejeições a pedidos de crédito. O relatório do BCE também indicou um abrandamento na procura de crédito em março, com as empresas a hesitar em investir, contrariando as expectativas de analistas que previam um aumento. As projeções para o segundo trimestre apontam para uma quebra ainda mais acentuada.

O BCE também divulgou resultados de um inquérito aos consumidores, que revelaram um aumento nas expectativas de inflação. Em fevereiro, as famílias da União Europeia antecipavam uma inflação de 2,5% nos próximos doze meses, mas em março essa expectativa disparou para 4%. Portugal destaca-se como o segundo país com as expectativas de inflação mais elevadas, com 5,1%, apenas superadas pelas famílias gregas.

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O banco ING alerta que as pressões estagflacionárias estão a ressurgir na Europa. O aumento dos preços da energia e a atividade económica na zona euro estão a criar um cenário menos otimista para o crescimento. Com a reunião do BCE agendada para esta semana, a dinâmica económica será analisada com atenção. Os analistas do ING afirmam que, apesar do aumento nas expectativas de inflação, os sinais de crescimento adverso podem moderar as subidas de taxas de juro.

As perspetivas de crescimento das famílias também se deterioraram. Se em fevereiro se previa uma contração de 0,9% no PIB da zona euro, em março essa previsão piorou para uma recessão de 2,1%. As famílias portuguesas são as que esperam um crescimento mais elevado, juntamente com as espanholas, sendo as únicas a antecipar um crescimento positivo.

Em Portugal, o cenário de concessão de crédito é ligeiramente diferente. Embora os bancos tenham endurecido os critérios de aprovação, a procura por crédito não diminuiu. O Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito revela que o setor bancário está mais cauteloso, especialmente em relação às empresas, e indica uma inversão na tendência de procura de empréstimos pelas famílias.

No crédito a empresas, a percepção de riscos associados à situação económica e às perspetivas de setores específicos é o principal fator para o aperto. Apesar disso, a concorrência entre bancos tem funcionado como um contrapeso. O aumento do spread nos empréstimos de maior risco e a restritividade nas condições para PME são notáveis, embora tenha havido uma ligeira redução nas taxas de juro para empréstimos de risco médio.

No que diz respeito ao crédito a particulares, a procura aumentou tanto na habitação como no consumo. O regime regulamentar do mercado imobiliário e a confiança dos consumidores impulsionaram este crescimento. No entanto, as previsões para o segundo trimestre de 2026 indicam uma possível diminuição da procura, especialmente no crédito à habitação, enquanto os critérios para PME devem continuar a endurecer.

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Leia também: O impacto da inflação nas famílias portuguesas.

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Fonte: Sapo

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