Clara Raposo: O Futuro da Banca e a Necessidade de Inovação

Clara Raposo, vice-governadora do Banco de Portugal, partilha uma visão otimista sobre o futuro da banca, afirmando que, em 10 ou 15 anos, continuaremos a precisar de bancos. Em entrevista, Raposo destaca a importância de equilibrar a inovação com a estabilidade financeira, sublinhando que o euro digital será um complemento e não um substituto dos depósitos bancários.

A digitalização está a transformar profundamente o setor bancário, afetando não apenas a forma como os bancos interagem com os clientes, mas também a sua organização interna e a gestão de riscos. A concorrência aumentou, especialmente em áreas como os pagamentos, levando os bancos a adaptarem-se e a melhorarem a eficiência dos seus serviços. Apesar das mudanças, a função central dos bancos na intermediação financeira e a confiança que estes transmitem permanecem inalteradas.

A digitalização traz, no entanto, novos desafios. A vice-governadora alerta para o aumento da exposição a riscos cibernéticos e operacionais. É fundamental que a inovação não comprometa a estabilidade financeira. A regulação deve acompanhar a evolução do setor, garantindo que os riscos sejam adequadamente monitorizados e geridos. Estruturas como o Portugal FinLab têm como objetivo facilitar a inovação, mantendo um diálogo próximo com os inovadores e clarificando os requisitos regulatórios.

Raposo também aborda a questão da desigualdade regulatória entre bancos e novos operadores, como as fintechs. O princípio do “mesmo risco, mesma regulação” deve ser aplicado, ajustando-se às especificidades de cada entidade. A supervisão deve ser rigorosa, mas também adaptável às novas realidades do mercado.

O crescimento dos fundos de crédito fora do sistema bancário tradicional levanta questões sobre a nova forma de “shadow banking”. Em Portugal, embora esses fundos tenham uma presença reduzida, a supervisão é feita pela CMVM, garantindo que as operações sejam transparentes e seguras.

Quanto ao euro digital, Raposo reafirma que este será um complemento ao numerário e aos depósitos, essencial para a eficiência dos sistemas de pagamento. A proteção da privacidade dos cidadãos é uma prioridade, equilibrando confidencialidade com as exigências legais.

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O futuro da banca, segundo Clara Raposo, não implica a sua desintermediação, mas sim uma evolução das suas funções. Os bancos continuarão a ser cruciais na transformação da liquidez em crédito, mesmo num ambiente mais digital. A inovação tecnológica será uma aliada, e os bancos devem adaptar-se para manter a sua relevância.

O sistema financeiro português é hoje mais resiliente do que há uma década, com bancos melhor capitalizados e mais preparados para enfrentar choques económicos. Contudo, os riscos geopolíticos e macroeconómicos continuam a ser uma preocupação, assim como os desafios trazidos pelas novas tecnologias e pelas alterações climáticas.

Leia também: O impacto da digitalização na intermediação financeira.

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Fonte: Sapo

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