Privação material em Portugal: dados alarmantes em 2025

Mais de um milhão de portugueses, cerca de 10,2% da população, enfrenta atualmente privação material ou social, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Este cenário levanta questões sobre a capacidade das famílias em cumprir com despesas básicas, como o pagamento da renda ou da prestação da casa, a substituição de móveis e roupas, e até mesmo a possibilidade de tirar férias. A privação severa, por sua vez, afeta 4,3% da população.

A evolução da privação material em Portugal na última década é significativa. Em 2014, após um período de austeridade severa, a taxa de privação material e social alcançou os 27%, afetando 2,8 milhões de pessoas. Comparando com outros países europeus, a situação era ainda mais crítica em nações como a Grécia, que registava 37,6%, e na Bulgária e Roménia, onde a taxa superava os 50%. No entanto, Portugal tem vindo a melhorar a sua posição no ranking europeu, subindo para o 17.º lugar em 2023 e mantendo-se em 14.º em 2025, embora ainda haja quatro países cujos dados não foram revelados.

Desde 2014, Portugal tem registado uma descida constante na taxa de privação material, com exceção de 2021, quando a taxa subiu para 13,5%. A descida mais acentuada ocorreu no período pós-troika, quando a taxa caiu para metade, passando de 27% em 2014 para 13,2% em 2019. Os 10,2% de 2025 representam a taxa mais baixa em pelo menos 12 anos.

A nível regional, os Açores apresentam a maior taxa de privação material e social, com 15,7%, seguidos pela Madeira (13,3%) e pela Área Metropolitana de Lisboa (10,6%). No que diz respeito ao género e idade, as mulheres com 65 anos ou mais são as mais afetadas, com uma taxa de 15,2%, embora tenha havido uma redução significativa desde 2015, quando a taxa era de 23,9%. Por outro lado, os homens entre os 18 e 64 anos apresentam uma taxa de privação de apenas 7,9%.

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Os dados do INE revelam que a privação material se manifesta de várias formas. Por exemplo, 0,6% da população não consegue ter dois pares de sapatos adequados, enquanto 1,9% não consegue ter uma refeição de carne ou peixe, pelo menos duas vezes por semana. Além disso, 5,2% não conseguem pagar a renda ou as prestações de crédito a tempo, sendo que na Área Metropolitana de Lisboa essa percentagem sobe para 8,7%. A incapacidade de manter a casa aquecida afeta 15,6% da população, e um terço dos portugueses não consegue substituir mobiliário usado ou pagar uma semana de férias por ano.

A privação severa, que se mantém em 4,3% desde 2024, representa uma preocupação adicional. Apesar de Portugal ter melhorado a sua posição no contexto europeu, a privação severa ainda afeta a vida de muitos cidadãos. Em 2025, Portugal ocupa o 10.º lugar neste indicador, mas espera-se que fique em 13.º quando todos os dados forem apresentados.

É importante notar que, apesar das melhorias no mercado de trabalho e do aumento do salário mínimo, 15,4% da população ainda se encontra em risco de pobreza. Em 2024, cerca de 1,6 milhões de pessoas ganhavam menos de 723 euros por mês, o que representa o limiar de pobreza relativa. A pobreza extrema, por sua vez, estava em 5,2%.

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Fonte: Sapo

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