Aumento dos preços nos seguros de saúde: causas e consequências

Recentemente, participei num congresso internacional promovido pela Cigna, uma das principais referências em seguros de saúde internacionais. O que percebi é que a inflação médica, muitas vezes considerada um tema técnico, está a tornar-se um dos maiores desafios do setor. Esta realidade já não é apenas teórica; está presente nas renovações de apólices e nas dificuldades que as famílias enfrentam para equilibrar a proteção e o custo.

A inflação médica não segue os índices tradicionais de inflação. Estudos de entidades como a McKinsey e a Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que este fenómeno é sustentado por dinâmicas económicas, demográficas e tecnológicas que pressionam os custos globais em saúde. Enquanto a inflação geral pode variar, a inflação médica apresenta uma tendência de aumento, impulsionada por fatores estruturais no sistema de saúde.

Entre as causas da inflação médica, destacam-se a inovação tecnológica, o envelhecimento da população, o aumento da procura e a pressão sobre redes privadas. Novos tratamentos e medicamentos têm custos elevados, e a maior esperança de vida resulta numa maior utilização dos serviços de saúde. Além disso, a saturação dos sistemas públicos leva muitos a recorrer ao setor privado, elevando ainda mais os preços.

Este aumento dos prémios não é uma exceção, mas uma consequência inevitável de um sistema onde o custo médio por sinistro cresce continuamente. Para os mediadores, a renovação das apólices é o momento em que esta pressão se torna mais evidente. O prémio é influenciado por três componentes: frequência, severidade e despesas. Quando a severidade aumenta, a correção do prémio é inevitável.

No entanto, o impacto financeiro é sentido diretamente pelas famílias. Muitas estão a considerar reduzir coberturas ou a optar por franquias mais altas para conter custos. Em casos extremos, algumas abandonam os seguros de saúde privados, o que pode criar um efeito de seleção adversa e agravar ainda mais a pressão sobre os prémios.

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Neste contexto, o papel do mediador é crucial. É necessário explicar as razões dos aumentos de forma transparente, trabalhar soluções alternativas e antecipar cenários de evolução de custos. A saúde, especialmente no setor privado, é um negócio, e os hospitais precisam de ser rentáveis. Contudo, práticas de over billing podem distorcer a equidade no sistema, levando a uma falta de transparência nos preços.

Estudos indicam que entre 20% a 30% dos serviços de saúde utilizados são excessivos ou desnecessários. Isso significa que uma parte significativa dos custos não está associada a melhores resultados clínicos, contribuindo para a inflação médica. Assim, o aumento dos prémios não reflete apenas o encarecimento da medicina, mas também ineficiências acumuladas no sistema.

É essencial refletir sobre o papel da regulação. As entidades reguladoras em Portugal têm mandatos claros, mas a fragmentação do sistema dificulta uma resposta eficaz. Quando o mesmo ato clínico pode ser influenciado por variáveis económicas distintas, a supervisão individual não é suficiente. Precisamos de uma visão integrada que promova a transparência de preços e a auditoria clínica.

Este é um tema global que não podemos ignorar. A questão que se coloca é até que ponto o modelo atual é sustentável se a resposta continuar a ser a transferência de custos para o consumidor. Há espaço para discutir modelos de financiamento e a eficiência das redes de saúde. Enquanto corretores, temos a responsabilidade de observar estas dinâmicas e contribuir para uma discussão mais ampla.

Leia também: O impacto da inflação médica nas famílias e no sistema de saúde.

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Fonte: ECO

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