O Conselho de Finanças Públicas (CFP) emitiu um alerta sobre o otimismo excessivo nas projeções de crescimento económico para 2026, sublinhando a necessidade de prudência. As previsões do Governo, que apontam para um crescimento de 2% este ano, são consideradas “plausíveis” pelo CFP, mas a instituição destaca que o investimento, a procura externa e a evolução dos preços são áreas que merecem uma análise mais cautelosa.
No relatório publicado esta segunda-feira, o CFP analisa as projeções macroeconómicas do Ministério das Finanças, enfatizando a dificuldade em concretizar as metas de investimento. O Governo prevê um aumento superior a 50% no investimento público, com um crescimento agregado de 5,6%. Contudo, o CFP observa que essa expectativa contrasta com as previsões de outras instituições, que situam a média de crescimento do investimento em apenas 4,1%. Se as previsões do Governo se concretizarem, este será o crescimento mais acelerado do investimento em Portugal desde o ano 2000.
A situação é ainda mais complicada pela tensão geopolítica, especialmente devido aos conflitos entre os EUA e Israel com o Irão, que têm levado a uma revisão em baixa das projeções de investimento para 2026. Esta incerteza tem um impacto direto nos mercados e nas expectativas de crescimento.
Além disso, o CFP critica a projeção governamental de 2,5% para o índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC), que está abaixo da média das previsões de outras organizações, que apontam para 2,9%. A instituição acredita que há uma “elevada probabilidade” de que a inflação supere as estimativas do Governo, especialmente devido ao aumento dos preços dos bens energéticos. Este aumento poderá ter um efeito de contágio sobre os preços alimentares e contribuir para um aumento da inflação.
Apesar das discrepâncias nas projeções, o CFP considera que a combinação de um deflator do PIB abaixo do consenso e um crescimento real acima do esperado resulta numa projeção para o PIB nominal que está alinhada com as expectativas gerais.
No que diz respeito à despesa líquida, o CFP não vê motivos para a abertura de um procedimento por défice excessivo, apesar de um desvio em relação ao referencial acordado com a União Europeia. Com um aumento de 19% na despesa líquida em 2025, o desvio acumulado é de 0,5% do PIB, o que está abaixo do limite máximo de 0,6%. Assim, Portugal deverá evitar reprimendas de Bruxelas, a menos que as condições se deteriorassem significativamente.
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Fonte: Sapo





