A recente decisão dos Estados Unidos de aumentar as tarifas sobre os automóveis europeus poderá ter um impacto significativo no sector automóvel português. A Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) alerta que esta medida pode resultar numa diminuição das encomendas, especialmente para os fornecedores portugueses que dependem fortemente de mercados como a Alemanha e Espanha.
Após um acordo comercial alcançado no ano passado, que previa tarifas de 15%, Washington decidiu unilateralmente aumentar este valor para 25% sobre os veículos europeus. José Couto, presidente da AFIA, sublinha que esta mudança representa um “revés importante” para os fabricantes europeus e, consequentemente, para o sector automóvel português. “Parecia que estava tudo resolvido, mas afinal não está”, afirma Couto, referindo-se aos efeitos indiretos que esta situação poderá ter na produção nacional.
Embora as exportações para a Alemanha tenham mostrado alguma resiliência, com uma quebra de apenas 2,6% no início deste ano, as vendas para outros mercados, como Espanha, França e Reino Unido, caíram ainda mais. No total, as exportações de componentes automóveis portugueses diminuíram 8,5% para 1.973 milhões de euros, segundo dados da AFIA.
Couto destaca que, se as vendas se mantiverem em níveis semelhantes aos do ano passado, isso já seria considerado um resultado positivo. Para isso, é fundamental que as empresas portuguesas reforcem a sua competitividade. “Estamos acima da produtividade da indústria nacional, mas ainda é pouco. Precisamos de caminhar rapidamente para o top-10”, defende o presidente da AFIA.
A decisão de aumentar as tarifas foi anunciada pelo presidente norte-americano na sua rede social, como retaliação ao que considera incumprimento por parte da UE. O acordo comercial estabelecido previa que, caso os EUA decidissem aumentar as tarifas, o Parlamento Europeu poderia reavaliar a sua posição. Apesar das dificuldades, em 2025, os EUA mantiveram-se como o segundo maior mercado para a produção automóvel europeia, atrás do Reino Unido.
Os dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) revelam que as exportações para os EUA caíram 21,7% em comparação com o ano anterior, totalizando 31 mil milhões de euros. Deste montante, 12% eram veículos eletrificados, uma diminuição em relação aos 15% do ano anterior.
Perante este cenário, o sector automóvel português enfrenta um desafio significativo. A AFIA apela a uma resposta rápida e eficaz para mitigar os efeitos das novas tarifas e garantir a sustentabilidade da indústria. Leia também: O impacto das tarifas comerciais no comércio internacional.
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Fonte: Sapo





