O Infarmed, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, solicitou aos agentes económicos do setor farmacêutico que realizem uma avaliação dos potenciais riscos associados ao abastecimento de medicamentos. Esta iniciativa surge em resposta à instabilidade provocada pela guerra no Médio Oriente, que pode afetar as cadeias de fornecimento e a dependência de fornecedores e matérias-primas.
De acordo com uma nota divulgada no site do Infarmed, a entidade pediu aos fabricantes, titulares, importadores, distribuidores por grosso e outros operadores do setor que reforcem os mecanismos de monitorização dos níveis de stock e da capacidade de fornecimento de produtos críticos. O objetivo é que qualquer constrangimento, seja atual ou previsível, que possa comprometer a disponibilidade de medicamentos ou dispositivos médicos, seja comunicado ao Infarmed “com a maior brevidade possível”.
Esta posição foi tomada após uma reunião realizada em abril, na qual participaram o Infarmed, a Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED) e a Associação Portuguesa de Medicamentos pela Equidade em Saúde, que representa a indústria dos genéricos e biossimilares. Durante a reunião, o Infarmed reconheceu que as perturbações na região do Médio Oriente poderiam impactar a continuidade do abastecimento de determinados produtos de saúde no mercado europeu. Contudo, até meados de abril, não tinham sido reportadas roturas no abastecimento.
O Infarmed também manifestou a sua disponibilidade para dar prioridade à avaliação de processos relacionados com o registo de novos fabricantes, tendo em conta a situação de conflito no Médio Oriente. Além disso, solicitou às empresas que apresentassem uma análise detalhada sobre os possíveis impactos associados a aumentos de preços, uma preocupação crescente no setor.
A monitorização do abastecimento de medicamentos é crucial, especialmente após alertas emitidos pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), que indicaram dificuldades na aquisição de consumíveis, como luvas e sacos, devido ao aumento acentuado dos preços das matérias-primas. Em abril, o presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), João Almeida Lopes, também reconheceu que o preço dos medicamentos em Portugal deverá subir “inevitavelmente” devido à inflação e ao aumento dos custos de materiais, como plásticos, alumínio e transporte.
O Infarmed continuará a acompanhar de perto a evolução da situação, mantendo a articulação com as instâncias europeias competentes e adotando as medidas necessárias para garantir a continuidade do abastecimento de medicamentos e a proteção da saúde pública. Leia também: O impacto da inflação nos preços dos medicamentos.
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Fonte: ECO





