O turismo em Portugal prepara-se para um verão que promete ser estável, apesar de um ambiente de maior prudência por parte dos consumidores e de um contexto internacional complexo. A instabilidade geopolítica e o aumento dos custos de transporte aéreo e combustíveis são fatores que influenciam a forma como os portugueses planeiam as suas férias.
Miguel Quintas, presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), acredita que o desempenho do turismo em Portugal será semelhante ou ligeiramente melhor do que no verão de 2025, especialmente no que diz respeito ao número de turistas. No entanto, o crescimento em termos de receita deverá ser mais moderado, uma vez que muitas famílias estão a ajustar os seus orçamentos devido ao aumento dos preços.
Quintas destaca que, embora não haja um abrandamento na procura, os consumidores estão a ser mais cautelosos. “Os clientes estão a fazer mais perguntas, a comparar mais e a querer saber exatamente o que está incluído nas suas reservas”, explica. Os destinos mais procurados continuam a ser Espanha, Grécia e as Caraíbas, mas o turismo em Portugal também se mantém forte.
Na Agência Abreu, Pedro Quintela observa uma evolução positiva, embora mais moderada em relação ao ano anterior. O diretor geral de vendas refere que, após um período inicial de cautela, a procura tem vindo a recuperar, impulsionada por campanhas promocionais ajustadas ao contexto atual.
Apesar das incertezas, as férias continuam a ser uma prioridade para muitos portugueses. O consumidor está mais atento ao preço e às condições de reserva, o que leva a uma maior procura por ofertas com boa relação qualidade-preço. O Grupo Vila Galé também mantém uma perspetiva de estabilidade, com reservas e perfil de clientes semelhantes aos do ano anterior.
Cristina Siza Vieira, CEO da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), considera que, embora o setor enfrente um contexto de incerteza, não se pode falar em crise. Ela acredita que Portugal poderá beneficiar da reorientação de viagens que antes estavam destinadas a mercados mais longínquos, dado o seu posicionamento como um destino seguro e acessível.
No entanto, Siza Vieira alerta para a cautela dos consumidores, especialmente entre famílias, que estão a adiar decisões de reserva. O aumento dos custos de transporte aéreo poderá levar a estadias mais curtas e a uma menor despesa no destino. A CEO também destaca a importância de garantir uma boa experiência nos aeroportos, especialmente com a implementação de novos sistemas de controlo de fronteiras.
O ritmo de reservas indica uma tendência de estabilidade, com clientes a reservar mais cedo para garantir preços e disponibilidade. A instabilidade no Médio Oriente tem gerado uma maior cautela na escolha de destinos, mas sem uma quebra significativa na intenção de viajar. Miguel Quintas reitera que viajar continua a ser uma prioridade para muitas famílias, mesmo em tempos de incerteza.
O turismo em Portugal mantém-se bem posicionado, beneficiando da sua imagem de país seguro e estável. Contudo, a concorrência de destinos como Espanha e Itália é forte. A procura interna também revela que alguns portugueses estão a optar por férias no país, como alternativa a viagens mais caras ou incertas.
O setor entra assim no verão de 2026 com expectativas de estabilidade, mas com atenção redobrada à evolução dos custos e à situação geopolítica, que poderão influenciar o comportamento da procura nos próximos meses.
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Fonte: ECO





