A Mota-Engil, uma das principais construtoras portuguesas, está a enfrentar um processo judicial no Texas, movido pela Muddy Waters Capital LLC, um fundo norte-americano conhecido por apostar na queda de empresas cotadas. A ação, que foi apresentada em dezembro do ano passado, acusa o presidente executivo da Mota-Engil, Carlos Mota Santos, de difamação. A acusação baseia-se em declarações que o CEO fez numa entrevista ao jornal Expresso, onde alegadamente descreveu de forma incorreta as posições curtas que a Muddy Waters assumiu sobre as ações da empresa.
Neste contexto, a Muddy Waters apostou que as ações da Mota-Engil iriam descer, e Carlos Mota comentou essa aposta, o que levou o fundo a considerar que as suas declarações causaram danos à reputação e à situação económica da empresa. Até ao momento, os valores da indemnização que a Muddy Waters reclama não foram divulgados.
José Carlos Nogueira, CFO da Mota-Engil, manifestou a confiança da empresa no desfecho do processo, afirmando que “temos a convicção e a confiança que daqui não poderá sair coisa diferente do que ser dada razão à Mota-Engil”. Nogueira sublinhou que o objetivo do processo tem “pouco a ver com a Mota-Engil” e que a empresa está a seguir o procedimento jurídico normal. O executivo também expressou a esperança de que o litígio se conclua rapidamente, reafirmando a confiança na justiça, tanto a nível nacional como internacional.
A Mota-Engil já contestou a ação e pediu o indeferimento liminar, mas a decisão do tribunal ainda não foi anunciada. O prospeto do recente empréstimo obrigacionista, no valor de 110 milhões de euros, aprovado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), inclui o processo como um fator de risco, alertando que um desfecho desfavorável poderá impactar negativamente os lucros e a posição financeira do grupo.
A Muddy Waters é uma entidade respeitada no mundo das finanças, com um histórico de campanhas agressivas contra empresas cotadas. Para os mais de cinco mil obrigacionistas que subscreveram os novos títulos de dívida da Mota-Engil, o processo no Texas é apenas um dos vários riscos mencionados no prospeto, que também aborda questões como guerras e instabilidade política em África.
Apesar da preocupação que o processo possa gerar, José Carlos Nogueira enfatizou que a operação da Mota-Engil em Omã, que se encontra numa área afetada por conflitos, é de “pouco significado”, com um volume de negócios que não chega a 5 milhões de euros por ano.
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Fonte: ECO





